
Lisboa, 08 jul 2026 (Lusa) — O Teatro Variedades, em Lisboa, celebra hoje 100 anos com uma programação que inclui visita guiada aos bastidores, a estreia de uma peça original, um livro, uma exposição e uma dança na fachada do edifÃcio.
As comemorações arrancam à s 13:30 com uma visita guiada ao edifÃcio, atualmente renovado pelo ateliê do arquiteto Manuel Aires Mateus, que permitirá o acesso a zonas habitualmente reservadas ao público, como bastidores, acessos de cena e áreas técnicas.
Pelas 18:00, será apresentado o livro “100 Anos de Variedades”, da autoria de Paula Gomes Magalhães, que traça o percurso do Teatro Variedades desde a sua inauguração, em 1926, até à atualidade.
Após a apresentação do livro, inaugura-se a exposição “Um Lugar chamado Variedades”, que reúne objetos, testemunhos e registos dos últimos cem anos de atividade do teatro, incluindo depoimentos em áudio de espectadores, técnicos e artistas que por lá passaram.
A abertura da mostra integra ainda uma participação especial da cantora Cláudia Pascoal, que recria seis canções que tiveram a sua primeira interpretação no Teatro Variedades.
Às 19:15, a fachada do teatro acolhe o espetáculo de dança vertical “AXIS”, com os corpos suspensos dos bailarinos Magalie Lanriot e Morgane Stephan.
O programa prossegue com a estreia do espetáculo musicado e tocado ao vivo “VARIEDADES (…como uma ópera bufa, erótica e satÃrica)”, de Fernando Heitor, Flávio Gil e João Paulo Soares, e termina com a exibição do filme “O Parque das Ilusões” (1963), de Perdigão Queiroga, numa cópia recentemente digitalizada pela Cinemateca Portuguesa.
“VARIEDADES (…como uma ópera bufa, erótica e satÃrica)” pretende ser “um modo novo de fazer um musical”, disse à agência Lusa um dos seus autores, Fernando Heitor.
Heitor lembrou que o Variedades testemunhou diferentes estéticas musicais e artÃsticas, que se refletiram nas revistas à portuguesa e nas comédias levadas à cena.
Politicamente, disse Fernando Heitor, o teatro assistiu ao Estado Novo, Ã Segunda Guerra Mundial e ao 25 de Abril de 1974. “Ao falarmos do Variedades, falamos muito de Lisboa, dos alfacinhas e de Portugal”, disse o autor.
Para o espetáculo, com cerca de duas horas, os autores criaram “dez personagens muito alfacinhas, da época da inauguração do teatro”, disse Heitor, referindo “que se dizia, de uma forma muito depreciativa, que o Parque Mayer tinha uma fauna muito especial, onde conviviam artistas, prostitutas, ladrões; era um mundo à parte, com os restaurantes abertos até altas horas da noite, com tertúlias, toda uma população que se dava bem”.
Inaugurado em 1926 e sendo a segunda sala a nascer no Parque Mayer, o Teatro Variedades foi durante décadas um dos principais palcos do teatro de revista, comédias, farsas, zarzuelas e operetas, acolhendo artistas que marcaram a história do teatro português.
Reaberto em outubro de 2024 após renovação, o espaço voltou a assumir-se como sala municipal dedicada à s artes performativas, com programação diversificada que inclui nomes como Pedro Penim, Ricardo Neves-Neves, Cristina Carvalhal, Miguel Raposo, Marina Mota, Rita Ribeiro e Artistas Unidos, além de musicais internacionais como “Rent” e “In The Heights” e festivais como o Around Classic e o FIMFA – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas.
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