Cooperativa de Café de Timor-Leste apela ao investimento e alerta para queda de produção

Díli, 08 jul 2026 (Lusa) — A Cooperativa Café Timor-Leste (CCTL) defendeu hoje o reforço do investimento no setor agrícola, designadamente no café, alertando para o efeito das alterações climáticas e envelhecimento das plantações na produção e principal exportação timorense depois do petróleo.

“A produção de café já não é como antigamente, devido às alterações climáticas, à redução da floração dos cafeeiros, ao envelhecimento das plantações e ao facto de muitas pessoas já não tratarem dos seus cafezais. Atualmente, os cafeicultores limitam-se praticamente à colheita do café maduro”, afirmou à Lusa o presidente da CCTL, Mário Soares.

Segundo o responsável, em 2025, a cooperativa exportou cerca de 1.600 toneladas de café para países como os Estados Unidos, China, Nova Zelândia, Japão e Austrália.

Em 2024, a CCTL adquiriu 4.000 toneladas de café em cereja. Em 2025, esse volume aumentou para 8.500 toneladas. Contudo, salientou Mário Soares, desde o início de 2026 até ao momento, a cooperativa comprou apenas 600 toneladas, refletindo uma quebra da produção.

O café representa 90% das exportações não petrolíferas de Timor-Leste e cerca de 35% da população timorense depende financeiramente da sua produção.

Dados do Plano de Ação Nacional para a Indústria Transformadora 2026-2031 (PANIT), aprovado recentemente pelo Governo timorense, indicam que o valor aproximado das exportações de café em 2024 foi de 17,8 milhões de dólares (15,6 milhões de euros).

Porém, embora o valor represente uma melhoria em relação a 2023, quando foram exportados 14,47 milhões de dólares (12,6 milhões de euros), a “situação continua desfavorável” quando comparada com 2021 e 2002, quando o valor das exportações ultrapassou os 25 milhões de dólares (cerca de 22 milhões de euros).

Globalmente, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), citados no PANIT, a produção de café representa menos de 0,1% do mercado mundial.

Apesar destes desafios, a CCTL continua a realizar ações de sensibilização, formação e capacitação dirigidas aos produtos de café, para aumentar a produção em Timor-Leste.

“Por isso, a CCTL apela ao Governo para investir mais no setor agrícola e que reduza a excessiva dependência do setor petrolífero”, afirmou Mário Soares.

Além do café, a CCTL exporta também outros produtos agrícolas, como baunilha, cacau, cravinho e pimenta, embora em quantidades reduzidas.

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