
Maputo, 07 jul 2026 (Lusa) – Moçambique recebeu 1.363 cidadãos nacionais repatriados da África do Sul vítimas de xenofobia e 6.156 malauianos já entraram no país, em trânsito, afetados pela mesma violência, foi hoje anunciado.
“Desde o início dos ataques xenófobos, 1.363 cidadãos nacionais foram repatriados, sendo que entre 01 a 04 de julho chegaram ao país 625 cidadãos. O Governo está a trabalhar na garantia de continuidade do trabalho dos nossos concidadãos, estando a ser mapeadas as suas profissões”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, em declarações aos jornalistas no final da reunião de hoje, em Maputo.
Segundo o responsável, do total dos repatriados, 809 declararam possuir uma profissão, dos quais 363 pedreiros, 102 artesãos, 77 empregadas domésticas, 87 pintores, além de eletricistas, carpinteiros, ladrilhadores e canalizadores em número, cada, inferior a 20 cidadãos.
O Governo adiantou que está em curso o processo de certificação destes cidadãos repatriados para o seu enquadramento profissional no exterior, no âmbito de memorandos de mobilidade laboral com países como Portugal e Emirados Árabes Unidos.
O Presidente moçambicano já tinha adiantado, em 04 de julho, que o Governo equacionava integrar as vítimas da xenofobia nos megaprojetos em curso no país e noutras vagas de trabalho no exterior, no quadro da cooperação internacional, para resolver o problema do emprego.
O porta-voz do Governo apontou igualmente para a intensificação dos ataques em diversas províncias da África do Sul, com incidentes a caracterizarem-se em assaltos e incêndios a residências, saques, agressões físicas, intimidações e expulsão forçada de cidadãos estrangeiros das suas comunidades.
Nas mesmas declarações, Impissa disse que o país já recebeu, em trânsito, pelo menos 6.156 cidadãos malauianos que posteriormente foram transportados para a província de Tete, centro do país, na fronteira entre Maláui e Moçambique.
“O Ministério dos Negócios Estrangeiros continua a trabalhar com a embaixada do Maláui em Moçambique para uma melhor articulação e coordenação de ações de transporte e assistência de cidadãos malauianos que entram em Moçambique em trânsito para aquele país”, disse Impissa.
Os episódios de violência contra estrangeiros levaram o Governo moçambicano a reforçar a assistência consular e as operações de repatriamento dos cidadãos afetados, mantendo o acompanhamento da situação através das representações diplomáticas e consulares na África do Sul.
Manifestantes anti-imigração sul-africanos fizeram um ultimato até 30 de junho, para todos os estrangeiros abandonarem o país e o Governo da África do Sul anunciou nos últimos dias restrições às políticas migratórias e o reforço da segurança, com Moçambique a receber hoje mais 65 cidadãos nacionais repatriados.
O Presidente moçambicano reconheceu em 01 de julho o agravamento da xenofobia na África do Sul, na sequência de incidentes violentos envolvendo cidadãos moçambicanos, e garantiu existirem condições logísticas para o repatriamento e acolhimento das vítimas.
Pelo menos 283 moçambicanos foram agredidos, viram as suas casas incendiadas e bens vandalizados na última vaga de ataques xenófobos na África do Sul, avançou no mesmo dia o Governo de Moçambique, que tenta assegurar assistência e o repatriamento.
No dia seguinte, o Presidente moçambicano disse que 38 cidadãos moçambicanos residentes legalmente na África do Sul foram agredidos e expulsos das suas casas em ataques xenófobos.
Moçambique tem cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que “milhares” já regressaram ao país face à violência.
PME // JMC
Lusa/Fim



