Moçambique corta previsão de crescimento de 2026 para 0,59% devido às cheias

Maputo, 07 jul 2026 (Lusa) — O Governo moçambicano cortou hoje a previsão de crescimento económico de 2,8% para 0,59% em 2026, devido aos impactos das inundações, avançando com um plano de reconstrução pós-cheias de 1.400 milhões de euros.

“As cheias de janeiro de 2026 afetaram cerca de 724 mil pessoas nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala, Manica e Zambézia, com impactos significativos sobre a pobreza, segurança alimentar e os meios de subsistência”, disse, no final da reunião de hoje do Conselho de Ministros, o porta-voz do órgão.

Inocêncio Impissa acrescentou que “o impacto macroeconómico traduziu-se numa revisão em baixa do crescimento do PIB [Produto Interno Bruto] de 2026, de 2,8% para 0,59%”.

Segundo Impissa, o Plano Global de Recuperação e Reconstrução pós-cheias aprovado na reunião de hoje, em Maputo, de 102 mil milhões de meticais (1.400 milhões de dólares) visa promover “uma recuperação resiliente, inclusiva e sustentável das áreas afetadas pelas cheias”, assegurando a estabilização socioeconómica, a recuperação dos meios de subsistência e o reforço da capacidade de resposta a futuros desastres.

As estimativas apresentadas hoje pelo Governo apontam para danos físicos avaliados em cerca de 69,5 mil milhões de meticais (955 milhões de euros), perdas económicas de aproximadamente 41,37 mil milhões de meticais (569 milhões de euros).

Impissa indicou que as províncias de Gaza, Maputo e Sofala foram as mais afetadas, acrescentando que “os danos concentram-se no setor social, com destaque para a habitação, enquanto as perdas são predominantemente registadas no setor produtivo, sobretudo na agricultura”.

Segundo o responsável, o plano aprovado hoje assenta no princípio da resiliência e está estruturado em cinco prioridades: assistência humanitária imediata, reposição dos serviços essenciais, reconstrução de infraestruturas resilientes, recuperação económica e redução do risco de desastres.

“Mais do que uma resposta a uma calamidade, este plano representa uma mudança de paradigma, integrando a resiliência no centro do desenvolvimento nacional e contribuindo para a redução estrutural dos impactos de desastres futuros”, declarou Impissa.

A implementação será assegurada através de um modelo multinível que envolve o Conselho de Ministros na supervisão política, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, na coordenação nacional e os setores e níveis descentralizados na execução.

“Esta implementação requer mobilização significativa de recursos através do Orçamento do Estado, parceiros de desenvolvimento, financiamento climático e outros mecanismos inovadores de financiamento”, explicou Impissa.

O modelo adotado “promove a coordenação interinstitucional, a descentralização e a eficiência”, seguindo uma abordagem inclusiva que prioriza os grupos vulneráveis e assegura a equidade territorial e social, acrescentou.

A última época das chuvas em Moçambique matou 314 pessoas, afetou mais de 1.078 milhões de pessoas e atingiu quase 260 mil casas, segundo atualização anterior do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

O balanço envolve a época das chuvas, que habitualmente decorre de outubro a abril, e corresponde a 249.053 famílias afetadas neste período em todo o país.

Há também registo de 19 pessoas ainda desaparecidas e 361 feridos.

Nesta época das chuvas, 211.655 casas foram inundadas, 15.616 casas foram totalmente destruídas e 31.081 parcialmente destruídas.

Só as cheias de janeiro, as mais violentas em vários anos, provocaram 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 715.716 pessoas.

Já a passagem do ciclone Gezani na província de Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos e afetou 9.040 pessoas, segundo os dados do INGD.

Foram ainda afetados nesta época das chuvas 9.735 quilómetros de estradas, 52 pontes e 237 aquedutos.

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