
Ancara, 07 jul 2026 (Lusa) — O Presidente norte-americano insistiu hoje que a Gronelândia, território autónomo da Dinamarca, deveria ser controlado por Washington, alegando que tal situação afetou a relação com a NATO e sugerindo novamente que pode retirar “todas as tropas” da Europa.
“Foi isso que afetou a minha relação com a NATO. Porque a Gronelândia não ajuda a Dinamarca, a Dinamarca não gasta dinheiro para ajudar a Gronelândia, mas é uma parte importante para os Estados Unidos (EUA) e está rodeada de navios russos e chineses”, argumentou Donald Trump, em declarações aos jornalistas no Palácio Presidencial de Ancara, onde foi recebido pelo chefe de Estado turco, Recep Tayyip Erdogan, no âmbito da cimeira da NATO, que hoje tem inÃcio na capital turca.
A cimeira decorre num momento de tensão entre os EUA e os aliados europeus, depois de um ano marcado por vários episódios de Trump em relação a alguns dos aliados da NATO. Um deles foi quando, em janeiro, o Presidente norte-americano ameaçou recorrer à força militar para anexar a Gronelândia.
Hoje, Trump voltou a insistir que a Gronelândia “devia ser controlada pelos EUA e não pela Dinamarca”, que também é membro da NATO.
O Presidente dos EUA lamentou que não o tenham deixado fazer isso e lembrou “todo o dinheiro” que gastou.
“E nós nem temos que gastar dinheiro nenhum, podemos retirar todos os nossos soldados da Europa porque a Europa é um sÃtio muito diferente de há 20 anos”, realçou Trump, aconselhando este continente a ter “cuidado com a imigração e a energia” sob pena de “já não existir mais Europa”.
Trump foi ainda questionado pelos jornalistas presentes sobre o conflito na Ucrânia — cujo Presidente Volodymyr Zelensky participa na cimeira em Ancara — e respondeu que tanto Moscovo como Kiev querem chegar a um acordo.
O Presidente dos EUA disse que teve “uma boa conversa” com o homólogo russo, Vladimir Putin, e também com Zelensky logo de seguida, considerando “de doidos” que no último mês tenham morrido 35 mil soldados devido a esta guerra.
Questionado sobre a SÃria, Trump adiantou que vai retirar as sanções aplicadas à quele paÃs porque “não quer sancionar amigos” e disse ter uma “boa relação” com o novo lÃder daquele paÃs, Ahmed al-Sharaa.
“Alguém disse: ‘Bem, foi um pouco arriscado colocá-lo nesse cargo’. Fui eu que o aprovei, juntamente com o Presidente [turco]. Fomos nós os dois que realmente o querÃamos, e ele tem feito um excelente trabalho”, sustentou, numa alusão ao facto de al-Sharaa ter no passado integrado milÃcias jihadistas.
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