PM israelita quer unificar Jerusalém sob soberania do país

Jerusalém, Israel, 05 jul 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse hoje que não aceitará abdicar do controlo sobre Jerusalém Oriental, defendendo que a cidade deve ser governada exclusivamente por Israel como capital unificada e indivisível.

Segundo defendeu, durante a cerimónia de lançamento da primeira pedra do Centro Histórico Atarot, em Jerusalém Oriental, território ocupado por Israel desde 1967, a cidade “já não será dividida” e o seu desenvolvimento deve ser feito “sob soberania israelita”.

Benjamin Netanyahu explicou que o norte de Jerusalém é uma área de enorme importância para o desenvolvimento da cidade.

“O desenvolvimento da nossa capital, uma Jerusalém unida que não será mais dividida”, disse o primeiro-ministro durante o evento, segundo um comunicado divulgado pelo seu gabinete.

“O nosso Governo está a proteger Jerusalém sob soberania israelita com todas as suas forças”, acrescentou Netanyahu.

O projeto hoje iniciado insere-se nas comemorações do 50.º aniversário da Operação Entebbe (1976), uma missão de resgate na qual as forças especiais israelitas libertaram reféns mantidos no aeroporto de Entebbe (Uganda), e será dedicado, segundo o comunicado, à “memória histórica” ??do local.

Durante o seu discurso, o primeiro-ministro recordou ainda o seu irmão, Yonatan Netanyahu, comandante da unidade militar de elite Sayeret Matkal, que morreu durante a operação.

O antigo aeroporto de Atarot, que operou durante décadas até ao seu encerramento no início da década de 2000, localiza-se em Jerusalém Oriental, território ocupado por Israel desde a guerra de 1967 e cuja anexação é considerada ilegal pela comunidade internacional.

O evento decorreu num contexto de debate político e diplomático sobre o controlo dos territórios ocupados e a expansão dos colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada.

Nas últimas semanas, o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, afirmou ter aprovado a declaração de 46,5 hectares como “terra estatal” no centro deste território para expandir o colonato de Givat HaRoeh, uma medida criticada por organizações israelitas e pela comunidade internacional.

Segundo o próprio Smotrich, estas políticas visam impedir, a todo o custo, o hipotético estabelecimento de um Estado palestiniano.

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