
Lisboa, 03 jul 2026 (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros iraquiano, Fuad Hussein, pediu hoje ao Governo português que reabra a embaixada em Bagdad, encerrada desde 2007, para “reiniciar a boa relação” bilateral, algo que Paulo Rangel disse estar a avaliar.
“A relação entre os dois paÃses remonta à história. Mas infelizmente, desde 2007, o Governo português decidiu retirar a embaixada de Bagdad enquanto nós mantivemos a nossa embaixada e embaixador aqui. Por isso, um dos pontos que debato sempre [com o ministro dos Negócios Estrangeiros português] é o envio novamente de um embaixador português para Bagdad para que possamos reiniciar a nossa boa relação”, afirmou o chefe da diplomacia iraquiana, após um encontro com o homólogo Paulo Rangel no Palácio das Necessidades.
“Precisamos do embaixador lá porque há muitas oportunidades relacionadas com o processo de construção da nossa economia”, comentou Hussein, que é também vice-primeiro-ministro do Iraque.
“Os laços diplomáticos abrirão caminho para a relação económica”, salientou.
Questionado sobre qual é a posição do Governo português sobre uma eventual reabertura de uma embaixada em Bagdad, Paulo Rangel recordou que, em 2007, Portugal encerrou várias embaixadas “devido a restrições financeiras”, no contexto da crise que levou à intervenção da ‘troika’ entre 2011 e 2014.
Desde há dois anos, o Governo português tem vindo a reabrir algumas embaixadas.
“Claro, consideramos isso. Claro que também preciso da ajuda do ministro das Finanças, como de costume, mas acho que ele tem sido bastante solidário. Estamos, em termos financeiros, num momento diferente. E assim, na nossa lista, Bagdad é um dos locais onde gostarÃamos de ter uma residência diplomática, não só um embaixador não residente, mas isto tenho de ver passo a passo”, comentou Paulo Rangel.
“Por agora”, os dois paÃses podem “trabalhar muito para intensificar as relações económicas”, acrescentou.
O turismo, a construção e a gestão da água foram identificados pelos dois ministros como áreas de potencial cooperação.
Rangel adiantou ainda que aceitou o convite do homólogo iraquiano para levar a Bagdad uma missão empresarial.
“Está na altura de aumentar em todos os aspetos a relação” entre os dois paÃses, nomeadamente nos domÃnios polÃtico, económico e cultural, sublinhou Rangel.
Nas declarações aos jornalistas, Fuad Hussein disse que é o primeiro ministro dos Negócios Estrangeiros iraquiano a deslocar-se a Portugal, salientando o caráter histórico desta visita oficial, que inclui também encontros com representantes da Assembleia da República, empresários e a AICEP–Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.
“O nosso paÃs é um paÃs petrolÃfero. Mas dentro de três, quatro anos, também seremos um paÃs do gás. Precisamos de infraestruturas e a construção é uma das áreas em que as empresas portuguesas podem desempenhar um papel importante. Há muitas oportunidades”, referiu.
“Estamos prontos para trabalhar em conjunto com as empresas deste paÃs e com o Governo para construir laços económicos fortes”, sublinhou Fuad Hussein.
O governante iraquiano agradeceu ainda a Portugal por ter participado na coligação antiterrorismo para combater o grupo extremista Estado Islâmico, também conhecido pela sigla inglesa ISIS.
“Enfrentámos tempos difÃceis quando os terroristas do ISIS ocuparam um terço do nosso paÃs. Muitos paÃses vieram apoiar o nosso povo para lutar e derrotar os terroristas”, recordou.
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