Trabalhadores da Hiscox protestam contra integração na Genpact

Lisboa, 03 jul 2026 (Lusa) – Cerca de duas dezenas de trabalhadores da seguradora Hiscox protestaram hoje em Lisboa contra a transferência para a Genpact, uma empresa de prestação de serviços na área da tecnologia de informação, argumentando que a transmissão acarreta perda de direitos.

O protesto foi convocado pelo Sindicato Nacional dos Profissionais de Seguros e Afins (SINAPSA) e, além da concentração em frente ao edifício da empresa, os trabalhadores da Hiscox cumprem hoje um dia de greve contra o processo de transmissão que tem efeitos a partir de segunda-feira.

“Estamos aqui hoje concentrados porque os trabalhadores da Hiscox estão em greve devido ao facto de a empresa ter promovido uma transferência de estabelecimento em que estes trabalhadores saem da atividade seguradora e passam para uma empresa de ‘outsourcing’. Os trabalhadores vão, parte do trabalho que desempenham na Hiscox também vai, porém os direitos não são os mesmos nem estão garantidos”, afirma Carmen Nunes, dirigente do SINAPSA, em declarações à Lusa.

Michel Jacinto, delegado sindical e trabalhador da Hiscox há 13 anos, adianta que na sequência desta transferência “todos os direitos do contrato coletivo de trabalho não estão assegurados”, dando como exemplo “os três dias de baixa pagos pela empresa” ou ao nível da progressão das carreiras.

“Estes trabalhadores têm neste momento um seguro de saúde gratuito para eles e para a família”, mas como esta transmissão “esse direito também não está assegurado”, acrescenta Carmen Miranda.

A dirigente sublinha ainda que os trabalhadores da Hiscox atualmente estão efetivos na empresa, mas esta mudança poderá trazer instabilidade laboral dado que a “Hiscox é corresponsável por estes trabalhadores durante dois anos”, mas ao fim de cinco anos podem “lançar um novo concurso relativamente a esta prestação de serviços e estes trabalhadores podem não ser contemplados”.

Nathalie Pereira, também delegada sindical e trabalhadora da Hiscox há quatro anos, questionada a vaga de contratações que está a ser levada a cabo para a área da informática. “Se estão a reduzir custos porque é que procuram pessoas para trabalhar?”, questiona, argumentando que seria preferível que dessem formação aos atuais trabalhadores da empresa.

Segundo Michel Jacinto, a reestruturação foi anunciada “há cerca de dois meses” e em causa está a transferência de cerca de 90 trabalhadores da Hiscox em Portugal, mas no total a transmissão afetará cerca de “200 pessoas” dado que há uma outra entidade inglesa afetada que opera em Portugal.

A dirigente do SINAPSA garante, por isso, que os trabalhadores não estão contra a transmissão, mas contra “a perda de direitos que está associada e a não revalorização dos trabalhadores”.

Carmen Nunes indicou ainda que houve “pelo menos trabalhadores” que se opuseram “à transmissão de estabelecimento e receberam da empresa a informação de que seriam despedidos”.

Por isso, garante: “a luta vai continuar”, escusando-se, contudo, a antecipar que formas de luta poderão estar em cima da mesa.

O protesto contou ainda com a presença do secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira.

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