Murakami regressa às livrarias do Japão com “A história de Kaho”

Tóquio, 03 jul 2026 (Lusa) – O mais recente romance do escritor japonês Haruki Murakami, “A história de Kaho”, chegou hoje às livrarias do país asiático, embora alguns bibliófilos tenham tido acesso ao texto já à meia-noite, em eventos dedicados à leitura.

“Kaho, autora de livros ilustrados, é uma jovem comum. Mas começa a acontecer coisas realmente estranhas à sua volta”, comentou o próprio Murakami sobre o romance, numa mensagem publicada no ‘site’ da editora Shinchosha.

“Escrevi este romance colocando-me no lugar dela”, acrescentou, referindo-se à protagonista de 26 anos, de uma história que começa com um encontro às cegas em que o acompanhante afirma nunca ter visto uma mulher tão feia.

Trata-se do primeiro livro com uma protagonista feminina do ícone da literatura contemporânea japonesa, nascido na cidade de Quioto em 1949 e com obras que costumam retratar homens jovens ou de meia-idade, narradas na primeira pessoa.

“A história de Kaho” chega três anos depois de “A Cidade e as suas Muralhas Incertas” (Casa das Letras, 2025) e tem origem no conto “Kaho”, publicado em 2024, que Murakami leu nesse mesmo ano ao público na Universidade de Waseda.

Desde então, o autor publicou outros três contos sobre Kaho na revista Shincho, o último deles em março.

Esta edição despertou a curiosidade dos amantes da literatura e fãs de Murakami no arquipélago – mesmo que alguns conheçam o romance por terem lido os contos -, ao ponto de alguns leitores se terem deslocado a importantes livrarias de Tóquio à meia-noite para ter acesso ao livro antecipadamente.

Reaberta recentemente após quatro anos de obras de renovação no bairro de Jimbocho, na capital, a Sanseido baixou as luzes para um grupo de leitores dispostos a passar a noite a ler Murakami, aconchegados entre as estantes.

Também a livraria emblemática da Kinokuniya, situada no bairro de Shinjuku, organizou uma contagem decrescente à meia-noite para os fãs de Murakami que ficam acordados até tarde, embora esta manhã não faltassem os leitores matinais.

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