Flávio Bolsonaro diz aos EUA que aumento de tarifas ao Brasil ajudaria Lula politicamente

Brasília, 02 jul 2026 — O pré-candidato a presidente do Brasil Flávio Bolsonaro pediu ao Governo dos Estados Unidos para suspender a proposta de aplicar o aumento de tarifas ao país, alegando que a medida poderia ajudar politicamente Lula da Silva.

O senador comunicou a sua posição na quarta-feira ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), após o órgão concluir uma investigação que poderá resultar na imposição de tarifas adicionais de 25% sobre produtos do Brasil.

“A parte que se beneficia da ação proposta é o atual Governo do Brasil”, escreveu o principal adversário do Presidente brasileiro, Lula da Silva, nas eleições gerais de outubro.

“As tarifas propostas recompensariam o atual Governo brasileiro justamente pela estratégia que ele tem adotado: protelar negociações sérias, provocar retaliações por parte de Washington e, em seguida, transformar essa retaliação em uma vitória política interna”, acrescentou.

Flávio afirma, no documento de 86 páginas, que a experiência das tarifas impostas em 2025 demonstra esse efeito e cita sondagens eleitorais para sustentar que a pressão comercial dos EUA coincidiu com uma melhora da posição política do Governo Lula.

Na noite de quarta-feira, data limite estabelecida pela USTR para o público interessado opinar por escrito, antes da audiência pública agendada para segunda-feira, o Governo brasileiro contestou as conclusões da investigação que poderá resultar na imposição de tarifas adicionais de 25% sobre produtos do Brasil.

Como alternativa ao aumento da tarifa a aplicar ao Brasil, Flávio Bolsonaro recomenda a Washington que o ideal seria punir diretamente indivíduos, com cassação de vistos e via Lei Magnitsky.

Noutra proposta, o senador bolsonarista pede que o USTR suspenda a implementação das tarifas, sem encerrar a investigação, e institua imediatamente um mecanismo formal de negociações entre os dois países.

Pela sugestão, a suspensão vigoraria por 180 dias e poderia ser prorrogada por mais 90 dias caso as negociações avançassem de boa-fé e apresentassem resultados concretos.

Caso não houvesse progresso nas negociações, as tarifas poderiam entrar em vigor automaticamente.

Ao sugerir a suspensão por 180 dias, na prática, Flávio Bolsonaro empurra o debate para depois das eleições gerais de outubro.

Lula da Silva e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil apelidam Flávio Bolsonaro explicitamente de traidor da pátria, por entenderem que o senador articulou, junto das autoridades de Washington, sanções ao Brasil como forma de interferir no processo eleitoral brasileiro.

MYMA // MLL

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