Cinco imitadores de Nick Cave compõem nova peça do Teatro Experimental do Porto

Matosinhos, Porto, 02 jul 2026 (Lusa) — A nova peça do Teatro Experimental do Porto (TEP) intitula-se “NIck, nick, NIck, nIcK e NICk” e põe em palco, no Teatro Municipal Constantino Nery, em Matosinhos, cinco imitadores de Nick Cave numa reflexão sobre a existência.

Os cinco — interpretados por Ana Brandão, Gonçalo Amorim, Ivo Alexandre, João Miguel Mota e Rodrigo Santos — vão chegando à vez a uma sala de espera para que uma produtora escolha um deles para um qualquer projeto.

Em silêncio, entreolham-se e começam a interagir a partir de um momento de partilha de algo para comer. “Se é para ser alguém, ao menos que seja o Nick”, diz um deles.

Com o Nick Cave de Ivo Alexandre em silêncio, os outros quatro são mais adeptos ou mais críticos da figura que pretendem encarnar, seja por paixão ou por mera necessidade de trabalho.

O Nick Cave de Ana Brandão confessa-se assustado pela escuridão, pela droga e pela violência que rodeiam o artista de 68 anos, que, na vida real, tem um histórico de dependência de drogas e que já perdeu dois filhos.

“Seja quem seja, o Nick é alguém que nos une e isso é especial”, constata outro dos imitadores, sendo ainda lançada a interrogação: “Onde é que o Nick terá ido buscar a ideia do Nick?”

A peça partiu de uma ideia de Pedro João, colaborador de há muito do TEP, em particular na área da música, que em “NIck, nick, NIck, nIcK e NICk” se estreia na escrita teatral.

Nas palavras do diretor do TEP, Gonçalo Amorim, que neste espetáculo assina a encenação com Pedro João e integra o elenco, a peça “é sobre a existência, sobre a complexidade da existência”, principalmente no contexto das artes e do teatro.

“Eles são figuras um bocadinho trágicas, porque não são propriamente uns grandes imitadores do Nick Cave, fazem o melhor que podem, preparam-se o melhor que podem, mas eles também são uma espécie de arquétipos de uma sociedade demasiado preocupada com querer parecer sempre alguma coisa”, explicou Gonçalo Amorim no final de um ensaio para os jornalistas.

A ideia surgiu já há cerca de quatro anos, mas o texto foi criado no último ano e, apesar da estreia na escrita, Pedro João não pode dizer “que tenha sido um parto duro ou difícil”.

“Acho que, depois, esta relação com os atores e com o palco, acho que para mim foi mais dura, ou seja, começar a procurar soluções para problemas que vão surgindo”, afirmou o autor do texto.

Questionados sobre se tinham dado conta da criação do espetáculo ao artista que está no centro dele, mesmo que a peça não seja sobre Cave em si mesmo, Gonçalo Amorim afirmou positivamente e acrescentou que o convidaram para ver, tendo até recebido uma resposta de representantes do músico australiano, que agradeceram, mas realçaram que não seria possível.

Nick Cave vai voltar a Portugal na próxima semana para um concerto no festival Alive, no Passeio Marítimo de Algés, em Oeiras, no distrito de Lisboa.

“NIck, nick, NIck, nIcK e NICk” estreia-se em Matosinhos no sábado, às 21:30, com repetição no dia seguinte às 16:00.

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