São Tomé/Eleições: ENTREVISTA: Jorge Bom Jesus admite apoiar recandidatura de Carlos Vila Nova

São Tomé, 29 jun 2026 (Lusa) — O ex-primeiro-ministro são-tomense Jorge Bom Jesus assegurou hoje que continuará do lado do seu partido, o MLSTP, admitindo apoiar a reeleição do Presidente, Carlos Vila Nova, descartando o apoio a Nito D’Abreu, apoiado pela ADI.

Em entrevista à Lusa, em São Tomé, Jorge Bom Jesus que, na segunda-feira anunciou a desistência da corrida presidencial, justificou o eventual apoio a Carlos Vila Nova por ser o candidato apoiado pelo seu partido, o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP).

“O meu partido tomou uma decisão, eu sou militante do MLSTP”, declarou.

Questionado sobre o eventual apoio ao candidato Nito D’Abreu, apoiado pela Ação Democrática Independente (ADI), Jorge Bom Jesus clarificou que não tem afinidade com a ADI, e que São Tomé e Príncipe está bipolarizado entre o MLSTP e a ADI, pelo que considerou que “essa pergunta não faz qualquer sentido”.

“Neste momento eu não apoio um candidato da ADI […], sempre estive do lado do MLSTP e continuarei”, precisou.

No entanto, Jorge Bom Jesus justificou que a desistência da sua candidatura às eleições presidenciais de 19 de julho tem alicerces dentro do MLSTP, que “decidiu apoiar um outro candidato”, quando esperava no mínimo que o partido desse liberdade de votos aos militantes.

“Eu sinto muitas farpas, de muito baixo nível que vêm de dentro do meu próprio partido, criando um ambiente de muita instabilidade, de muita divisão […]. Naturalmente que, como político, nós temos que estar sempre preparados para esse tipo de calúnias, mas mesmo essas calúnias, há graus de intensidade […], há uma diferença entre lutar contra adversários visíveis e praticamente da outra margem, e [lutar contra] adversários internos”, declarou.

Jorge Bom Jesus garantiu que não tem compromissos com ninguém e que não recebeu dinheiro nem outras contrapartidas nas várias reuniões que teve com a direção do MLSTP e outros candidatos antes de decidir desistir.

“Não tenho compromisso nenhum […]. Está-se a reduzir essas eleições a um espírito de mercantilismo […] e eu não me revejo num contexto desse tipo […]. Eu nunca recebi um tostão, uma cerveja de nenhum desses candidatos”, assegurou, afirmando ter recebido “apoios multiformes” de “algumas entidades”, “pessoas anónimas” e “gente humilde”, mas recusou “entrar em pormenor” e não avançou valores recebidos, nem gastos feitos durante as ações realizadas.

“Tentei na medida do possível sair disso de forma mais limpa possível […]. Oxalá que esse país possa deixar desse ciclo vicioso e entrar num ciclo mais virtuoso em que as pessoas possam estar no centro das preocupações, sobretudo em matéria de desenvolvimento humano”, declarou.

Jorge Bom Jesus pediu “sinceras desculpas” a todos os que confiram no seu projeto político e alertou aos eleitores para as escolhas que coloquem o povo no centro do processo de desenvolvimento.

“Lamento ter desistido nessa altura, mas não vi outra opção, sobretudo pela forma como esta pré-campanha começou […], com aspetos fúteis para atingir pessoas, atingir a honra, denegrir, difamar, sujar, manchar, atirar nódoas. Peço imensas desculpas, mas eu não estou disponível para esse tipo de processo de mentiras sem pé nem cabeça”, lamentou.

Numa declaração entregue na segunda-feira ao Tribunal Constitucional, Jorge Bom Jesus reconhece que a desistência acontece “fora do prazo estabelecido” na lei eleitoral que prevê a admissão “até 24 horas antes da data de abertura do sorteio para a ordem de posição de cada candidatura ou candidato no boletim de voto”.

Com a desistência de Jorge Bom Jesus, restam quatro candidatos às presidenciais, nomeadamente Eugénio Rodrigues da Trindade Tiny, Nito de Sousa Viegas D’Abreu, Miques João do Nascimento de Jesus Bonfim, e Carlos Manuel Vila Nova.

Segundo a Comissão Eleitoral Nacional (CEN), os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora, nomeadamente 15.917 em cinco países da Europa, e 5.324 em quatro países de África.

*** Josimar Afonso, da agência Lusa ***

 

JYAF // JMC

Lusa/Fim