Gás pode render 4.000 milhões de dólares/ano em impostos a Moçambique – Standard Bank

Maputo, 30 jun 2026 (Lusa) – O Standard Bank prevê que o gás natural pode fazer a economia de Moçambique crescer 11 mil milhões de dólares por ano, gerar dezenas de milhares de postos de trabalho e render quatro mil milhões de dólares em impostos.

“As receitas fiscais desempenharão um papel fundamental na redução da dívida soberana e no reforço do investimento público, ao mesmo tempo que impulsionam o crescimento económico”, disse o diretor executivo do Standard Bank em Moçambique, Bernardo Aparício, numa nota enviada à agência de informação financeira Bloomberg, na qual estima uma expansão económica de 9,6 mil milhões de euros anualmente e receitas fiscais de 3,5 mil milhões de euros.

O projeto de gás natural liquefeito de Rovuma, proposto pela petrolífera Exxon Mobil e cujo início da produção está previsto para 2030, impulsionará o crescimento económico para 4,1% e acrescentará 81 mil milhões de dólares, cerca de 70 mil milhões de euros, ao fundo soberano de Moçambique até 2056, afirmou a instituição financeira num relatório elaborado em parceria com a consultora Conningarth Economists.

O projeto poderá aumentar o rendimento das famílias em 21%, à medida que este país da África Austral avança para se tornar o quarto maior fornecedor mundial de gás, refere-se no relatório citado pela Bloomberg.

O projeto de Rovuma requer um investimento estimado em cerca de 30 mil milhões de dólares (26,2 mil milhões de de euros) e está localizado perto do projeto de 20 mil milhões de dólares (17,5 mil milhões de euros) da TotalEnergies, interrompido pela violência ligada ao Estado Islâmico em 2021, tendo sido recentemente reiniciado.

Para além disso, a italiana Eni anunciou também planos para construir um estrutura flutuante de exploração de gás natural liquefeito no valor de 7,2 mil milhões de dólares (6,3 mil milhões de euros).

Este país lusófono africano, o quinto mais pobre do mundo, tem, no entanto, enfrentado dificuldades orçamentais e um problema de sustentabilidade da dívida, tendo interrompido um programa de ajustamento financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI) no seguimento da violência que se seguiu às eleições do final de 2024, que tiveram um impacto muito forte no crescimento económico.

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