
Pemba, Moçambique, 26 jun 2026 (Lusa) — Pelo menos 104 escolas estão encerradas devido ao terrorismo na provÃncia moçambicana de Cabo Delgado, menos de metade das 214 registadas em 2025, avançou hoje o Governo, apontando melhorias na segurança.Â
O governador de Cabo Delgado provÃncia do norte, Valige Tauabo, avançou hoje os dados durante a reunião provincial de planificação do setor da Educação, realizada sob o lema “Educação, Investigação e Cultura, Vetores Fundamentais para o Desenvolvimento do PaÃs”, defendendo que a retoma do funcionamento das escolas é essencial para garantir o acesso das crianças ao ensino.
“Continuamos com 104 escolas fechadas, das quais quatro em Ancuabe, seis em Palma, vinte e uma em MocÃmboa da Praia, sete em Nangade, nove em Muidumbe, uma em Mueda, 34 em Macomia, quatro em Meluco, duas no Ibo e 13 em Quissanga, contra 214 de 2025, uma redução que reflete a melhoria das condições de segurança na provÃncia”, afirmou.
Apesar da redução do número de estabelecimentos de ensino encerrados, o governador considerou que o cenário continua preocupante e apelou ao reforço dos esforços para normalizar o funcionamento da rede escolar.
“Precisamos de inverter o cenário, assegurando que todas as nossas crianças frequentem a escola”, declarou.
Segundo Valige Tauabo, persistem igualmente limitações no acesso ao ensino em zonas onde as escolas permanecem abertas, apontando a existência de alunos deslocados e comunidades ainda afetadas pelos impactos do conflito armado, situação que continua a condicionar o processo de recuperação do setor da educação.
Desde outubro de 2017, a provÃncia de Cabo Delgado, rica em gás, enfrenta uma rebelião armada com ataques reclamados por movimentos associados ao grupo extremista Estado Islâmico.
 Pelo menos 52 mil crianças estão entre mais de 120 mil deslocados devido a ataques de rebeldes, desde janeiro, na provÃncia moçambicana de Cabo Delgado, anunciou hoje fonte oficial, admitindo o recrutamento forçado dos menores pelos grupos terroristas.
“De janeiro para cá nós tivemos um registo de 124.000 deslocados internos, dos quais cerca de 52.000 são crianças. Não temos dados concretos de óbitos, mas estamos cientes de que estes deslocamentos internos envolvem não só adultos, mas também crianças. Quase aproximadamente metade destes deslocados a nÃvel da provÃncia são crianças”, disse Kiriliana Alberto, diretora provincial do Género, Criança e Ação Social em Cabo Delgado, norte de Moçambique.
Os distritos de Macomia, MocÃmboa da Praia e Nangade registaram o maior número de deslocados desde janeiro, na sequência de novos ataques armados, avançou a responsável, que falava à margem da cerimónia de comemoração do Dia Nacional da “Mão Vermelha”, em Maputo, sob o lema “Proteger as Crianças Afetadas por Conflitos Armados em Moçambique”.
A ONU estima que pelo menos 28 pessoas morreram e outras 49 foram raptadas no mês de maio em incursões terroristas em Cabo Delgado, marcando a expansão do conflito para áreas anteriormente pouco afetadas.
A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) registou 11 eventos violentos nas duas primeiras semanas de junho na provÃncia moçambicana de Cabo Delgado, todos envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram oito mortos, elevando para 6.632 o número de mortos desde 2017.
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