
Madrid, 27 jun 2026 (Lusa) – O presidente do parlamento do LÃbano, Nahib Berri, lamentou hoje que o acordo-quadro alcançado na sexta-feira com o governo israelita tenha desencadeado uma agitação interna e apelou à calma da povo libanês.
“Ó povo do LÃbano, todo o paÃs mergulhou na discórdia”, lamentou Berri num comunicado publicado nas redes sociais, tendo utilizado o termo ‘fitna’, que num contexto islâmico refere-se a momentos de grande agitação interna.
O presidente do parlamento do LÃbano e lÃder histórico do Movimento Amal é muito próximo do partido-milÃcia xiita Hezbollah, inimigo histórico de Israel, e que está envolvido desde a guerra de Gaza em intensos combates contra o Exército israelita, além de criticar, desde o inÃcio, as aproximações oficiais entre Beirute e Telavive.
Nahib Berrib recorreu ainda a uma fábula do profeta Maomé, Ali ibn Abi Talib, para apelar à calma interna, após os polÃticos libaneses de todos os quadrantes terem reagido ao acordo, revelando uma divisão entre o Hezbollah e os seus aliados.
O lÃder do Partido das Falanges Libanesas, de orientação democrata-cristã, Sami Gemayel, saudou o acordo pelo qual “o LÃbano sai vitorioso” ao consagrar “o fim da guerra, a retirada total de Israel do território libanês, o reconhecimento oficial por parte de Israel da ausência de qualquer reivindicação ou ambição em relação ao LÃbano, bem como a decisão sobre a guerra e a paz nas mãos exclusivas das instituições legÃtimas”.
Já o lÃder do Movimento Patriótico Livre (MPL), de orientação cristã maronita, Gebran Bassil, manifestou algumas reservas ao considerar que, “apesar das deficiências, é preciso abordar este acordo com responsabilidade”.
O acordo “será benéfico se o paÃs recuperar todos os seus direitos, mas se acabar por ser uma fonte de discórdia, tornar-se-á um perigo”, acrescentou Bassil, que lamentou que o acordo preliminar não aborde nem a questão dos refugiados palestinianos, nem a disputa entre o LÃbano e Israel pelas águas do rio Wazzani ou pelos jazigos de gás ao largo da costa.
O texto definitivo do acordo-quadro assinado na sexta-feira pelo LÃbano e por Israel não implica em algum ponto a retirada israelita das zonas que invadiu no sul do paÃs, mas sim uma saÃda “gradual” e sempre condicionada ao desarmamento das milÃcias do Hezbollah.
Esta saÃda “gradual” é aplicável apenas em duas “zonas-piloto” que, segundo fontes oficiais israelitas, se situam além dos limites originais daquilo a que Israel chama a “zona tampão”, estabelecida em abril.
O acordo, publicado pelo Departamento de Estado dos EUA, refere-se a um “processo recÃproco e gradual” através do qual o Exército libanês “restabelecerá a soberania efetiva” sobre todo o seu território, “enquanto se aguarda o desarmamento verificado” do Hezbollah, que já rejeitou este acordo e advertiu pela enésima vez que não iniciará um processo de desarmamento baseado nestas conversações entre Beirute e Telavive.
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