
Um novo estudo da Organização Mundial da Saúde revela que os alimentos inseguros continuam a representar uma ameaça significativa à saúde pública em todo o mundo.
A análise, divulgada a 23 de junho, reúne dados entre 2000 e 2021 e apresenta a avaliação mais completa até agora sobre o impacto das doenças transmitidas por alimentos contaminados.
A investigação contou com a participação da especialista em saúde pública da Universidade de Waterloo, Shannon Majowicz, que contribuiu para a atualização de vários indicadores globais.
Os resultados mostram que, só em 2021, 14 agentes patogénicos associados a doenças diarreicas provocaram cerca de 666 milhões de casos e mais de 265 mil mortes.
Além disso, oito agentes invasivos transmitidos por alimentos causaram 24 milhões de infeções e mais de 100 mil mortes, sobretudo em regiões de baixos rendimentos, como África e o sudeste asiático.
O estudo destaca ainda o impacto desproporcionado nas crianças com menos de cinco anos, que representam uma pequena parte da população, mas concentram uma fatia significativa da doença.
As doenças alimentares, muitas vezes evitáveis, podem provocar complicações graves, como insuficiência renal, paralisia, infeções do sistema nervoso central e até cancro.
Segundo os especialistas, a falta de acesso a água potável, saneamento e sistemas eficazes de controlo alimentar agrava os riscos em várias regiões do mundo.
A Organização Mundial da Saúde defende que estes dados são fundamentais para orientar políticas públicas, reforçar medidas de higiene e melhorar os sistemas de vigilância.
O objetivo passa por reduzir os riscos e garantir maior segurança alimentar à escala global, numa área que continua a exigir investimento e atenção contínua das autoridades.



