Euclid capta maior imagem do centro da Via Láctea revelando 60 milhões de estrelas

Madrid, 25 jun 2026 (Lusa) – A missão Euclid, lançada pela Agência Espacial Europeia (ESA) para explorar e decifrar os mistérios do universo, captou a maior e mais detalhada imagem do centro da Via Láctea, um mosaico de mais de 60 milhões de estrelas.

A imagem, divulgada na quarta-feira, abre caminho para que os cientistas confirmem a existência de quaisquer exoplanetas encontrados nesta região, conhecida como “bulbo (ou bojo) galáctico”, e meçam a sua massa utilizando variações mínimas na luz das estrelas ao longo do tempo.

Por apenas um dia, o explorador do universo escuro virou o seu olhar para a luz, para a brilhante região interna da Via Láctea, atendendo a um pedido dos astrónomos que procuravam o que o Euclid faz melhor, captar vastas áreas do universo com detalhes incrivelmente nítidos, anunciou a Agência Espacial Europeia (ESA).

Concebida para observar milhares de milhões de galáxias distantes, a câmara de luz visível do telescópio espacial Euclid é suficientemente sensível para distinguir estrelas individuais no núcleo galáctico densamente povoado sem ser sobrecarregada.

Esta capacidade excecional é crucial para os cientistas que planeiam utilizar esta imagem para estudar planetas em torno de outras estrelas utilizando uma técnica especial chamada microlente gravitacional.

A imagem foi captada em 23 de março de 2025, em apenas 26 horas, resultando num mosaico de milhões de estrelas criado a partir de nove fotos tiradas pela sua câmara de luz visível.

Em cada uma destas “fotos”, a câmara cobre uma porção do céu maior do que a Lua cheia, de acordo com os dados fornecidos pela ESA.

A nitidez e a sensibilidade do Euclid em luz visível são semelhantes às da Wide Field Camera do Telescópio Espacial Hubble, um projeto conjunto da NASA e da ESA, mas cada imagem captada pelo Euclid em apenas algumas horas cobre uma área 270 vezes maior do que o campo de visão do Hubble.

Para observar o mesmo mosaico, o Observatório Keck (no Havai) necessitaria de cerca de 2000 horas, mas o Euclid é mais rápido e capaz de captar detalhes de estrelas mais ténues que passariam despercebidas quando observadas a partir da Terra.

O Euclid captou mais de 60 milhões de estrelas nesta fotografia, juntamente com nebulosas e enxames estelares nesta região densamente povoada da Via Láctea — um local perfeito para os astrónomos procurarem exoplanetas usando o efeito de microlente gravitacional, que depende do alinhamento fortuito de duas estrelas com um observador.

Quando uma estrela passa entre outra, a mais próxima atua como uma lupa cósmica, curvando e intensificando a luz da estrela de fundo.

Se um planeta orbita a estrela mais próxima, a sua gravidade também curva essa luz, embora de forma ligeiramente irregular, e esta pequena alteração adicional no brilho é que permite a deteção da presença de um planeta, explicou a ESA.

“Para detetar microlentes gravitacionais, é necessário observar áreas do céu densamente povoadas por estrelas, como as que estão perto do centro da nossa galáxia”, explicou Jean-Philippe Beaulieu, do Instituto de Astrofísica de Paris (França) e da Universidade da Tasmânia (Austrália), que liderou o projeto Euclid para estudar o bojo galáctico e é codiretor do grupo de trabalho de exoplanetas do Consórcio Euclid.

Ao longo dos últimos vinte anos, foram descobertos quase 300 exoplanetas com recurso a esta técnica, todos com telescópios terrestres e todos próximos do centro da Via Láctea, mas esta imagem do Euclid inclui 51 sistemas planetários conhecidos e ajudará no estudo de muitos outros que serão descobertos.

A missão Euclid, construída e operada pela ESA com contribuições da NASA, foi lançada em julho de 2023 e iniciou as suas observações científicas a 14 de fevereiro de 2024.

 

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