
Lisboa, 24 jun 2026 (Lusa) — O ministro da Administração Interna, ex-diretor da PolÃcia Judiciária, disse hoje que não houve falha de coordenação na informação entre polÃcias e secretas na investigação ao grupo de extrema-direita que ameaçou o primeiro-ministro, mas, admitiu, não foi tudo transmitido.
À margem da apresentação de um novo contingente regional da Frontex, a agência europeia de fronteiras, que se focará nas fronteiras externas de Portugal e Espanha, LuÃs Neves garantiu que não falhou a coordenação e a comunicação entre polÃcias e secretas no caso do Movimento Armilar Lusitano (MAL), um grupo de extrema-direita desmantelado pela PJ, acusado de crimes de terrorismo e que tinha uma lista com centenas de alvos, entre os quais o primeiro-ministro, LuÃs Montenegro.
“A informação que tinha que ser partilhada, tanto quanto eu julgo saber, foi partilhada, mas há sempre aspetos que importam melhorar”, disse LuÃs Neves aos jornalistas.
O ex-diretor da PJ, que acompanhou, enquanto diretor, a investigação a este grupo extremista, garante que “não houve uma falha de coordenação”, mas reconheceu que ao nÃvel do Sistema de Segurança Interna não houve um acompanhamento da investigação.
Questionado sobre se as polÃcias e secretas que integram a Unidade de Coordenação Antiterrorismo (UCAT) sabiam tudo sobre a investigação, LuÃs Neves foi taxativo: “Eu vou falar enquanto fui diretor nacional [da PJ], não sabiam e se calhar em parte não têm que saber”.
O jornal Público avançou na terça-feira que as secretas não foram informadas das ameaças do grupo extremista contra o primeiro-ministro e outros alvos polÃticos.
Hoje, LuÃs Neves insistiu que a informação relativa à lista de nomes e alvos apenas foi descoberta na parte final da investigação, quando os autores das ameaças já não representavam um perigo real, tal como já tinha sido avançado pelo Ministério Público.
“O que há é a descoberta de determinados nomes de pessoas relevantes no espetro polÃtico, na parte final da investigação, isto que fica bem claro, na parte final da investigação, quando já não havia uma ameaça, porque a ameaça foi anulada, com as detenções, com as prisões, com tudo esclarecido”, disse LuÃs Neves.
A descodificação dos “milhões de dados” em telemóveis e outro material informático apreendido na investigação aconteceu já nos últimos meses da investigação, acrescentou LuÃs Neves, insistindo na necessidade de Ministério Público e PJ terem mais meios legais à sua disposição no que diz respeito a acesso a metadados.
Sobre o facto de o primeiro-ministro não ter sido informado da ameaça sobre si, LuÃs Neves reiterou que “não é normal, nem é aceitável” que LuÃs Montenegro ou qualquer visado tenham conhecimento pela comunicação social.
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