
Bogotá, 24 jun 2026 (Lusa) — O candidato da esquerda à s eleições presidenciais na Colômbia, Iván Cepeda, reconheceu hoje a vitória do adversário da extrema-direita, Abelardo de la Espriella, três dias após a segunda volta mais renhida da história eleitoral do paÃs.
“Como candidato do Pacto Histórico e a Aliança pela Vida, tal como anunciei na altura e nesta fase da contagem dos votos, decidi aceitar o resultado que decorre desse processo e que indica que Abelardo de la Espriella é o novo Presidente da República”, afirmou Cepeda numa conferência de imprensa.
O polÃtico de esquerda assegurou ter tomado a decisão com base num “ato de responsabilidade democrática” e afirmou que pretende contribuir “para a convivência, a paz e o diálogo entre os colombianos”.
Segundo a contagem preliminar divulgada no domingo, dia em que decorreu a segunda volta das eleições presidenciais, Iván Cepeda, candidato apoiado pelo Presidente cessante Gustavo Petro, foi derrotado por uma diferença inferior a um ponto percentual (49,7% – correspondente a 12,9 milhões de votos – contra 48,7%).
Inicialmente, Cepeda tinha afirmado que apenas aceitaria os resultados após a contagem final, que deverá ficar concluÃda ainda hoje.
“Faço-o porque acreditamos profundamente na democracia e porque estamos convictos de que as diferenças polÃticas devem ser resolvidas através da participação dos cidadãos, do respeito pelas instituições e do debate público”, afirmou hoje.
Cepeda destacou ainda o equilÃbrio do resultado eleitoral, afirmando que “a votação revela uma diferença extraordinariamente reduzida entre as duas opções que disputaram a confiança do povo colombiano”.
Segundo o lÃder do partido Pacto Histórico, que ao terminar em segundo lugar nas eleições voltará a ocupar o cargo de senador no perÃodo 2026-2030, o processo de apuramento realizado pelas autoridades eleitorais está “praticamente concluÃdo” e agradeceu aos milhares de delegados, advogados e observadores eleitorais que participaram na fiscalização do ato eleitoral em representação da coligação esquerda (Pacto Histórico e da Aliança pela Vida).
Na segunda-feira, Iván Cepeda apelou à serenidade e à mobilização pacÃfica, após os confrontos registados em várias cidades da Colômbia na sequência da vitória eleitoral de Abelardo de De la Espriella.
Os protestos começaram na noite de domingo, após o anúncio dos resultados eleitorais preliminares da segunda volta presidencial, e degeneraram em confrontos com a polÃcia em Bogotá e Cali, a terceira maior cidade do paÃs.
Milhares de manifestantes saÃram à s ruas sob o lema “Resistência”, contestando a vitória tangencial de De la Espriella, apoiado politicamente pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
Em Cali, uma marcha inicialmente pacÃfica, acompanhada por música indÃgena, terminou em confrontos entre manifestantes e a polÃcia antimotim, que recorreu a gás lacrimogéneo para dispersar a multidão.
Ao mesmo tempo, enquanto De la Espriella discursava perante apoiantes na cidade de Barranquilla, manifestantes queimavam pneus e bandeiras dos Estados Unidos em diferentes pontos do paÃs.
Na capital colombiana, centenas de pessoas concentraram-se junto à Universidade Nacional, um sÃmbolo da educação pública, mas a manifestação tornou-se violenta quando alguns participantes incendiaram barricadas e lançaram objetos contra as forças de segurança, que responderam igualmente com gás lacrimogéneo.
A eleição de De la Espriella, advogado e empresário de 47 anos que promete uma agenda ultraliberal centrada na segurança e na redução da intervenção do Estado na economia, aprofundou a polarização polÃtica no paÃs e desencadeou uma das mais expressivas vagas de protestos desde a divulgação dos resultados eleitorais.
De la Espriella prometeu uma “nova era” na Colômbia após os resultados preliminares lhe darem a vitória na segunda volta das presidenciais por uma margem apertada, levando o paÃs, assolado pela violência de grupos armados, a uma viragem à direita.
Com a vitória de De la Espriella, a Colômbia, o maior produtor mundial de cocaÃna, torna-se o mais recente paÃs latino-americano a inclinar-se para a direita, seguindo os passos da Argentina, Chile e Equador, cujos lÃderes, alinhados com Washington, não tardaram a felicitá-lo.
Admirador dos presidentes populistas de El Salvador, Nayib Bukele, e da Argentina, Javier Milei, De la Espriella prometeu construir mega-prisões onde os detidos receberiam “pão e água”, bombardear campos de narcotráfico com o apoio dos Estados Unidos e de Israel, e reduzir a dimensão do aparelho de Estado em 40%.
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JSD (RJP) // SCA
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