
Genebra, 23 jun 2026 (Lusa) – Uma comissão internacional de inquérito mandatada pelas Nações Unidas acusou hoje Israel de “ter como alvo” crianças palestinianas na Faixa de Gaza, atribuindo “intenção genocida” à s tropas das Forças de Defesa de Israel.
No seu mais recente relatório, que se centra mais especificamente na situação das crianças, a comissão de inquérito sublinhou que “o ataque deliberado a crianças é um dos elementos-chave para estabelecer a intenção genocida das autoridades e forças de segurança israelitas de destruir os palestinianos, total ou parcialmente, em Gaza”.
Num comunicado, o presidente da comissão internacional, Srinivasan Muralidhar, afirmou que “ao atacar crianças, Israel está a atacar a própria capacidade do povo palestiniano de existir e de determinar o seu futuro”.
“As provas mostram que crianças palestinianas foram alvos deliberados e mortas pelas forças de segurança israelitas”, afirmou o Muralidhar.
Israel condenou o relatório como difamatório, acusando os seus autores de “ignorar as táticas brutais do grupo islamita palestiniano Hamas, que ataca impiedosamente crianças israelitas e usa crianças palestinianas como escudos humanos”.
Em setembro, a comissão de inquérito, mandatada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas sem falar em nome da organização, num relatório inicial concluiu “que estava a acontecer um genocÃdio em Gaza e continua a ocorrer”.
Após a publicação deste relatório inicial, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou ter visto “crescentes provas” de genocÃdio em Gaza.
De um modo geral, segundo a comissão internacional, existem “motivos razoáveis” para concluir que as autoridades e as forças de segurança israelitas “continuam a cometer o crime de genocÃdio” em Gaza.
“Mesmo após o cessar-fogo de outubro de 2025, as crianças continuam a ser mortas e gravemente feridas, uma vez que Israel continua a desrespeitar o cessar-fogo e a proteção que o direito internacional exige para as crianças palestinianas”, acrescentou o relatório.
No relatório, a comissão denunciou “o ataque aos serviços neonatais e de maternidade” por parte de Israel, o que levou a um aumento dos abortos espontâneos e das malformações genitais, com efeitos duradouros na “continuidade da população”.
A comissão acredita ainda que “a fome provocada pelo bloqueio israelita” levou à morte de crianças em Gaza e prejudicou gravemente a sua saúde. Acredita também que o desmantelamento e a destruição das estruturas de proteção e educação em Gaza, assim como na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, comprometeram o seu desenvolvimento e enfraqueceram “os alicerces da sociedade palestiniana”.
Israel e o Hamas acusam-se mutuamente quase diariamente de violarem a trégua que entrou em vigor em outubro passado, enquanto a Faixa de Gaza continua a ser assolada pela violência, devido à falta de progressos no sentido de um fim duradouro da guerra, que foi desencadeada pelo ataque ao território israelita em 07 de outubro de 2023 pelo grupo islamita palestiniano.
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