
La Paz, 23 jun 2026 (Lusa) — Os apoiantes do ex-lÃder boliviano Evo Morales anunciaram que vão suspender os protestos que exigem a demissão do Presidente Rodrigo Paz, após mais de um mês e meio de bloqueios de estradas.
Os dirigentes das Seis Federações dos Trópicos de Cochabamba, uma das principais centrais sindicais de produtores de coca do paÃs, anunciaram na segunda-feira uma “pausa temporária” nos protestos.
O lÃder da central, Isidro Auca, afirmou que a decisão foi tomada para “fazer uma pausa temporária para tentar pacificar” o paÃs, embora tenha avisado que “esta luta vai continuar” e que “a batalha não terminou”.
“É apenas uma pausa temporária para continuarmos a organizar-nos, para continuarmos a preparar-nos, porque este Governo não conseguiu resolver os problemas existentes”, afirmou.
Na sexta-feira à noite, o Executivo assinou um acordo com a Central Operária Boliviana (COB), a principal central sindical do paÃs, que anunciou o levantamento das medidas de pressão.
Outras organizações — incluindo grupos de camponeses e os cultivadores de coca do Chapare, reduto do antigo Presidente Evo Morales (2006-2019), no centro do paÃs — anunciaram, no entanto, que irão manter o movimento de oposição.
Isidro Auca questionou o acordo assinado pelo lÃder máximo da COB, Mario Argollo, a quem acusou de ter vendido e traÃdo os sindicatos, numa conferência de imprensa em que Evo Morales também participou.
Morales reiterou as acusações de que Rodrigo Paz estaria a entregar os recursos naturais do paÃs a “empresas transnacionais” e que irá aumentar os preços dos serviços básicos e dos combustÃveis, algo que o Governo nega.
O Executivo boliviano diz que a contestação tem sido encorajada por Morales, alvo de um mandado de detenção num suposto caso de tráfico de menores, acusação que rejeita.
O lÃder indÃgena, ele próprio antigo cultivador de coca, encontra-se refugiado há dois anos no Chapare, protegido pelos seus apoiantes.
A polÃcia e o exército bolivianos começaram no sábado a levantar os bloqueios de estrada que paralisam a BolÃvia há mais de seis semanas, que resultaram em prejuÃzos de milhões de euros.
Isto poucas horas depois do inÃcio do estado de exceção decretado pelo Presidente Rodrigo Paz. O regime, com a duração de 90 dias, autoriza o exército a apoiar a polÃcia e proÃbe os bloqueios de estrada.
Pouco depois da assinatura, Rodrigo Paz anunciou ter decretado o estado de exceção “depois de ter esgotado todas as vias de diálogo, celebrado acordos com aqueles cujas reivindicações eram legÃtimas e identificado aqueles que recorriam à violência para tentar desestabilizar a BolÃvia”.
No inÃcio de maio, a COB tinha lançado o movimento de protesto contra a crise económica, a mais grave dos últimos 40 anos no paÃs.
Os camponeses e os trabalhadores das fábricas e das minas foram-se juntando progressivamente ao movimento, rejeitando as reformas do Presidente de centro-direita.
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