Líder do PS diz que “a política social do Governo falhou”

Póvoa de Varzim, Porto, 20 jun 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, considerou hoje que “a política social do Governo falhou de forma abrupta”, apontando o ‘chumbo’, na sexta-feira, da proposta de revisão da legislação laboral, na Assembleia da República.

No âmbito da Rota pela Economia do Mar, onde se reuniu, na Póvoa de Varzim, distrito do Porto, com a Associação de Armadores de Pesca do Norte (AAPN) e realizou uma saída para o mar com profissionais do setor, o líder socialista reagiu ao chumbo parlamentar ocorrido na véspera.

“A política social do Governo falhou. Falhou de forma abrupta na contrarreforma laboral e tem falhado nas outras áreas. Tem falhado na saúde e na habitação e agora estamos também a ver que o Governo também não funciona na economia”, declarou o líder do PS.

José Luís Carneiro manifestou-se satisfeito com o resultado da votação da revisão da legislação laboral no Parlamento, considerando que a iniciativa do executivo de Luís Montenegro prejudicava os cidadãos.

“Estou satisfeito porque os trabalhadores portugueses conseguiram derrotar a contrarreforma laboral que era o resultado não apenas das propostas da AD, mas também de outras propostas que ofendiam os jovens, as mulheres, as famílias, os mais vulneráveis. E fizeram-no, até à última hora, também com o apoio do Chega”, sublinhou.

O secretário-geral do PS fez questão de demarcar a posição do seu partido face às alegadas “movimentações de bastidores e votações de última hora”, lembrando o histórico do processo.

“Vimos os representantes de estruturas sindicais felizes porque, de facto, mostrámos que os portugueses e o país ficam melhor com esta decisão que foi tomada, e em relação à qual o PS teve uma posição muito clara desde o dia 3 de agosto de 2025. Desde a primeira hora, estivemos com os trabalhadores, com os jovens, com as mulheres, com as famílias, com os mais vulneráveis”, apontou.

Carneiro reforçou a oposição ideológica ao documento da Aliança Democrática (AD), referindo que este “ofendia os valores do socialismo democrático, da social-democracia, do humanismo e da democracia cristã”.

Instado a comentar recentes declarações do primeiro-ministro, que acusou as oposições de “destratar a mudança”, o líder do principal partido da oposição apontou que o executivo está em desconexão com o país real.

“Acho que há um problema grave de falta de sintonia do Governo e de Luís Montenegro com a realidade do país. Só isso é que pode justificar afirmações dessa natureza. Aliás, só isso é que pode justificar os ataques que foram feitos ao Partido Socialista e ao seu secretário-geral por parte da AD”, respondeu, sintetizando que o PS está “a favor das mudanças que melhoram a vida das pessoas” e “sempre contra as mudanças que pioram a vida das pessoas”.

A fechar o capítulo laboral, José Luís Carneiro deixou críticas à estratégia de comunicação de Luís Montenegro, na véspera do congresso nacional do PSD.

“Não chega fazer cartazes a arregaçar as mangas, e não resolver problemas da habitação, da saúde, dos salários, da competitividade das empresas e da produtividade da economia do país. Com certeza que não há um bom desfecho para um Governo que tem esta atitude e este comportamento”, concluiu.

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