
Lima, 19 jun 2026 (Lusa) – O candidato da esquerda peruana, Roberto Sánchez, que está prestes a perder para a candidata de direita, Keiko Fujimori, a corrida nas presidenciais do Peru, liderou esta sexta-feira uma manifestação em defesa da “transparência” na contagem dos votos.
Sánchez encabeçou uma marcha com milhares de apoiantes para exigir aos órgãos eleitorais “transparência” na fase final da contagem dos votos das eleições realizadas no passado dia 07, que se encontra muito perto da conclusão.
O candidato partiu da sede do seu partido, “Juntos pelo Peru”, no Paseo Colón, no centro da capital peruana, para percorrer pacificamente várias ruas do centro histórico de Lima.
A manifestação foi vigiada por centenas de agentes da PolÃcia Nacional do Peru (PNP), sem que se registassem incidentes de maior gravidade, embora tenham ocorrido alguns breves confrontos com jornalistas que tentaram aproximar-se do candidato.
A marcha realizou-se apesar das restrições impostas pela Câmara Municipal de Lima, liderada pelo presidente da câmara de extrema-direita Renzo Reggiardo, que advertiu que seriam tomadas medidas legais, caso ocorressem atos de vandalismo.
Reggiardo defendeu também a decisão de ordenar o encerramento do trânsito em várias das principais ruas e praças do centro histórico, salientando que a medida foi tomada para “prevenir situações que posteriormente pudessem derivar em atos violentos”.
No final da manifestação, Sánchez saiu para uma varanda da sede do Juntos para agradecer o apoio dos apoiantes e defender o direito ao protesto pacÃfico.
“É por isso que nós, com a força do povo, exigimos justiça eleitoral e transparência eleitoral”, acrescentou, antes de sublinhar que o povo peruano “respeita a democracia”.
O candidato anunciou também a interposição de recursos legais para que seja respeitado o devido processo na contagem dos votos e que serão convocadas novas manifestações nos próximos dias.
“Este processo tem de ter transparência, zero controvérsias, segurança jurÃdica, porque todos os votos dos peruanos têm o mesmo valor”, afirmou.
Sánchez sublinhou que os protestos continuarão a realizar-se “democraticamente, pacificamente” e serão levados a cabo “de forma exemplar e inspiradora, em coordenação com todas as regiões”.
A coligação Juntos pelo Peru convocou a mobilização desta sexta-feira em “defesa do voto popular” e em rejeição ao resultado da segunda volta presidencial, que confere uma vitória virtual a Fujimori, com 99,6% do total da contagem efetuada.
O candidato considera que houve uma “falta de transparência” por parte dos órgãos eleitorais e uma alteração das regras em pleno processo, bem como uma série de “irregularidades, vÃcios de nulidade e manobras polÃtico-mediáticas” que atentam contra “a vontade soberana do povo peruano”.
Em resposta, Fujimori exortou, esta sexta-feira, o adversário eleitoral a respeitar os resultados da votação, depois de afirmar que “os números são contundentes”, agora que a contagem está a chegar ao fim.
Questionada sobre a mobilização convocada pelos grupos de esquerda, a candidata pediu que esta decorresse “com total normalidade” e “respeito pela propriedade privada”, e mostrou-se confiante de que o resultado final da segunda volta das presidenciais “seja divulgado em breve”.
A vantagem de Fujimori sobre Sánchez subiu na quinta-feira para 41.685 votos, quando a contagem dos votos atingiu os 99,626 % e restam apenas 347 atas eleitorais a ser incluÃdas, as quais estão a ser analisadas devido a alegadas irregularidades.
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