Moçambique tem estabilidade política e social apesar do terrorismo “num ponto do país” — PR

Luanda, 18 jun 2026 (Lusa) — O Presidente moçambicano disse hoje, em Luanda, que o país goza de estabilidade política, económica e social e continua a captar investimento externo e a atrair turistas, garantindo que o desafio do terrorismo “está apenas num ponto do país”.

“Maputo, a nossa capital, dista cerca de 3 mil quilómetros de Cabo Delgado. E, mesmo na província de Cabo Delgado, não é toda a província que está com desafios de terrorismo. São alguns distritos da zona norte da província, principalmente na região onde temos projetos do LNG [Gás Natural Liquefeito, GNL]” afirmou Daniel Chapo, que participou hoje no Angola Investiment Summit 2026, que decorre na capital angolana até sexta-feira.

Quando questionado sobre a segurança em Moçambique para investimento externo, sobretudo no setor do turismo, referiu que a perceção externa é que o terrorismo está em todo o país, mas, explicou, atinge apenas um ponto do país do Índico.

“É num ponto e na ponta de um país [onde se registam atos de terrorismo] (…), por isso, em todo o país esse desafio não se sente”, respondeu o Presidente de Moçambique, que abordou, no encontro, “O Turismo como Estratégia Económica Nacional”.

Daniel Chapo garantiu que os turistas continuam a visitar normalmente Moçambique e a usufruírem das suas “maravilhas”.

“Nós, o que temos feito é realmente trabalhar para que esta perceção do terrorismo não seja uma perceção que estrague a vinda de turistas, de investimentos”, afirmou.

E acrescentou: “Agora, por exemplo, estou a falar de cerca de quatro projetos [de investimentos de hidrocarbonetos na região], a situação melhorou muito em relação àquilo que foi no início”.

A província moçambicana de Cabo Delgado, no norte do país lusófono, tem sido atingida por insurgência armada e atos de terrorismo desde 2017.

Hoje, Daniel Chapo, que interveio no espaço “Diálogo Presidencial”, moderado por uma jornalista da CNN, vincou que o seu Governo mantém o controlo das ações terroristas, o que, disse, se reflete nos investimentos na área do GNL em curso em Cabo Delgado.

“O projeto da Total, que tinha parado, (…) foi retomado em novembro do ano passado. Estamos neste momento a trabalhar com a Exxon para, se tudo correr bem, em setembro, assinarmos a decisão definitiva de investimento de cerca de 20 biliões de dólares”, relatou.

Chapo assegurou que, “mesmo na zona onde se fala do terrorismo”, há pessoas e “os projetos estão a decorrer normalmente. Mesmo aqueles que estão a investir na mesma zona continuam a apostar em Moçambique”.

Aos investidores, decisores políticos, empresários e operadores turísticos presentes na cimeira, organizada pelo Governo angolano em parceria com Global Tourism Forum Institute (GTFI), o chefe de Estado moçambicano garantiu que no país “reina estabilidade política, económica e social”.

“Estamos a promover o diálogo nacional inclusivo, com todos os estratos sociais, não só partidos políticos, mas a sociedade civil, a liderança religiosa, as lideranças comunitárias, a juventude, as mulheres, as organizações da sociedade civil (…), estamos todos a participar deste debate, sem exclusão, de forma que possamos realmente continuar com as reformas”, sustentou.

Explicou que as reformas em curso no país visam o consenso nacional, porque “não há nenhum país que se desenvolve sem paz e segurança” e, afirmou, Moçambique “continua a trabalhar neste sentido”.

“Continuamos a atrair investimentos nos setores do turismo, agricultura, infraestrutura, transportes, logística, indústria, transformação digital”, acrescentou.

Segundo Chapo, “à semelhança de Angola, Moçambique continua a ser o destino certo para investimentos no turismo, mas também noutros setores, apesar desses desafios de segurança num ponto do país”.

DAS // MLL

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