Governo moçambicano estuda possibilidade de reduzir preços de combustíveis – ministro

Maputo, 18 jun 2026 (Lusa) – O ministro da Economia moçambicano considerou hoje possível reduzir os preços dos combustíveis após o recente acordo de cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos, admitindo estar em acompanhamento a evolução da situação no Médio Oriente.

“Obviamente que há desafios, nós estamos a acompanhar as oscilações dos preços internacionais dos combustíveis, portanto, o nosso país está a fazer a sua gestão na medida das suas possibilidades, mas é uma questão que não temos poder de decisão sobre ela”, disse, em Maputo, Basílio Muhate, à margem da abertura da vigésima edição do Economic Brienfing sobre o “desempenho empresarial do primeiro trimestre de 2026 e perspetivas”.

O governante considerou o conflito um fenómeno externo com impacto na economia nacional, reconhecendo que se o país fosse produtor de combustível não estaria dependente de outras fontes: “Mas dependemos dos outros, portanto estamos a analisar”.

“É bem possível [reduzir o preço], mas vamos acompanhar a evolução, nós sabemos como são as relações e a tensão no Médio Oriente, mas vamos acompanhar para vermos o que acontece nos próximos dias. Mas estamos satisfeitos porque há sinais positivos”, declarou.

Moçambique está a registar alguma acalmia e retorno à normalidade no abastecimento de combustíveis no país, após semanas marcadas por falta de gasolina e de gasóleo, filas com dezenas de carros e a Unidade de Intervenção Rápida da polícia colocada nos postos que conseguiam abastecer gasolina ou gasóleo, para garantir a segurança por entre centenas que se juntavam, incluindo motociclos e consumidores munidos de bidões.

O preço do gasóleo em Moçambique subiu em 07 de maio 45,5% e o da gasolina 12,1% por litro, com o Governo a justificar a revisão em alta dos combustíveis com os preços praticados internacionalmente.

O ministro dos Recursos Minerais e Energia moçambicano defendeu sexta-feira que os biocombustíveis podem contribuir para amortecer a volatilidade dos preços internacionais dos combustíveis fósseis, reiterando que aquele combustível ecológico deve ser visto como parte da diversificação da matriz energética nacional.

Estêvão Pale, que falava, em Maputo, na abertura do Seminário Nacional de Biocombustíveis, reconheceu que se vive um contexto marcado pela volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis no mercado internacional – num momento em que se enfrenta uma crise energética associada ao conflito no Médio Oriente -, destacando a pressão sobre as cadeias globais de abastecimento, as oscilações cambiais e a necessidade crescente do país em reforçar a sua segurança energética.

Segundo o ministro, apesar da instabilidade deste mercado, Moçambique possui condições naturais, agrícolas e logísticas que o coloca numa posição favorável para desenvolver uma cadeia nacional de biocombustíveis, reconhecendo contudo que os biocombustíveis não substituirão de imediato os combustíveis fósseis.

Felisbela Cunhete, diretora da Direção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis (DNHC), recordou na ocasião que o país começou a olhar para os biocombustíveis em 2008, na sequência da primeira crise dos combustíveis provocada pelo choque do mercado internacional. Nessa altura, explicou, foi também iniciado o processo de elaboração do quadro regulatório necessário para o desenvolvimento do setor.

 

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