Tráfico de droga na origem do aumento de criminalidade violenta em Macau – Governo

Macau, China, 18 jun 2026 (Lusa) — A criminalidade violenta em Macau registou uma subida de 12,5% no primeiro trimestre de 2026, devido a um aumento do número de casos de tráfico de droga, anunciaram hoje as autoridades locais.

De acordo com o relatório da criminalidade publicado pelo Gabinete do Secretário para a Segurança de Macau para o período entre janeiro e março, um total de 63 casos de criminalidade violenta foi registado no território, mais sete do que no mesmo período de 2025.

Entre os principais tipos de crime, verificou-se um aumento nos casos de tráfico e venda de drogas, contabilizados como “crimes violentos”, que passaram de 12 para 19.

As autoridades de segurança do território apontaram ter “aprofundado a cooperação na repressão de drogas” com os serviços de correios e os setores de logística e de transporte aéreo.

Outros crimes registaram variações menos expressivas: os casos de fogo posto subiram de 10 para 12 (+20%), os de roubo de 10 para 11 (+10%), enquanto abuso sexual de crianças (5), sequestro (8) e ofensa grave à integridade física (1) mantiveram valores idênticos aos do anterior.

Por outro lado, houve uma descida nos casos de violação, que passaram de 10 para sete casos.

Ainda segundo os dados, no primeiro trimestre deste ano foram registados 655 casos de crime contra a pessoa, mais 90 do que em 2025.

Dentro deste tipo de crimes, destacou-se a subida nos casos de ofensa simples à integridade física, com maior incidência em pontos turísticos, casinos, hotéis e áreas nas proximidades destes estabelecimentos.

“Face a esta situação, a polícia intensificou o patrulhamento e vigilância nos locais de maior risco e reforçou os mecanismos de cooperação e comunicação com as empresas de lazer”, indicaram as autoridades de segurança.

Também no primeiro trimestre, foram registados 98 casos de crime informático, menos 38,8% do que em 2025.

Em relação à violência doméstica, foram preliminarmente autuados 24 processos, mas até 15 de maio, apenas dois casos foram classificados como crimes de violência doméstica, 13 como ofensas à integridade física e nove permanecem em investigação.

No âmbito do jogo, a polícia de Macau instaurou 585 processos, mais 3,2% do que em 2025. Entre estes, destacam-se 119 casos de exploração de câmbio ilícito para jogo, uma descida de 9,8%.

Já os crimes de empréstimo ilícito para jogo e de sequestro relacionados com esta atividade registaram, respetivamente, 45 ­e três casos, representando quedas de 11,8% e 40%.

Nos casos de empréstimo ilegal em Macau, é comum grupos criminosos manterem jogadores sequestrados de modo a exigir o pagamento de empréstimos concedidos.

O Gabinete de segurança do território garantiu que continuará a aplicar os conceitos de “prevenção antecipada” e “capacitação tecnológica”, reforçando a vigilância no território.

Durante o mesmo período, o sistema de videovigilância em espaços públicos de Macau, conhecido como “Olhos no Céu”, foi utilizado como mecanismo de apoio na investigação de 2.906 casos, incluindo criminalidade violenta grave, como roubos e fogo posto.

Os dados do suicídio, consumado e tentativa, em Macau deixaram de ser publicadas nos balanços da criminalidade, o que Polícia Judiciária justificou anteriormente, alegando não ter competência para divulgar essa informação por não envolver crimes.

Estes dados são agora publicados pela Direção dos Serviços de Estatística e Censos, que reportou em maio, pelo menos, 15 suicídios no primeiro trimestre, menos dois do que no mesmo período do ano passado. A região chinesa terminou 2025 com um número recorde de suicídios, um total de 91.

O Governo de Macau alterou também o formato de divulgação destes dados sobre a criminalidade, com as tradicionais conferências de imprensa trimestrais substituídas pela publicação online dos relatórios, passando a haver sessões presenciais apenas “quando necessário”.

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