
Teerão, 16 jun 2026 (Lusa) – O exército iraniano ameaçou usar uma “resposta severa” aos ataques israelitas hoje no sul do LÃbano, que mataram quatro pessoas, apesar do anúncio de um acordo preliminar entre Washington e Teerão para pôr fim à guerra.
“Se o exército infanticida do regime sionista não cessar a sua agressão no sul do LÃbano, deve esperar uma resposta severa por parte das poderosas forças armadas da República Islâmica do Irão”, avisou o Comando das Forças Armadas, Khatam al-Anbiya, em comunicado divulgado pela emissora estatal IRIB.
De acordo com o exército de Teerão, Israel violou o cessar-fogo no LÃbano 84 vezes desde que o acordo foi anunciado na segunda-feira.
As Forças de Defesa de Israel “continuam a cometer crimes e a massacrar o povo oprimido do LÃbano”, condenaram os militares iranianos.
Pelo menos quatro pessoas morreram hoje e várias ficaram feridas em ataques atribuÃdos ao exército israelita no sul do LÃbano, informou a agência de notÃcias libanesa NNA.
O exército israelita indicou pelo seu lado que intercetou ‘rockets’ do grupo xiita Hezbollah disparados em direção à s suas tropas no sul do LÃbano e retaliou com ataques aéreos, segundo um comunicado militar.
“Na manhã desta terça-feira, a Força Aérea israelita intercetou vários ‘rockets’ disparados pela organização terrorista Hezbollah em direção à zona onde os soldados israelitas estão a operar no sul do LÃbano”, relatou um comunicado militar.
Logo de seguida, “a Força Aérea israelita atacou e destruiu o lançador de onde tinham sido disparados alguns dos ‘rockets'”, acrescentou o comunicado.
Estados Unidos e Irão alcançaram na segunda-feira um acordo preliminar, que será formalizado na sexta-feira na SuÃça, sobre o fim das hostilidades, iniciadas pelos ataques israelo-americanos em 28 de fevereiro contra a República Islâmica.
O acordo prolonga por 60 dias o cessar-fogo em vigor desde 08 de abril e estabelece um quadro negocial para futuras conversações sobre a questão nuclear.
Irão e o Paquistão, principal mediador das negociações de paz, anunciaram que o entendimento estipula o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o LÃbano, onde Israel e Hezbollah entraram em conflito aberto há mais de três meses.
O LÃbano foi arrastado pelo Hezbollah, aliado de Teerão, para a nova guerra na região ao reatar, no inÃcio de março, ataques aéreos contra o território israelita.
Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do paÃs vizinho durante o conflito anterior
Desde 02 de março, pelo menos 3.826 pessoas morreram e 11.851 ficaram feridas no LÃbano, segundo a última atualização do Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que causaram também acima de um milhão de deslocados.
As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra na Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o inÃcio do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.
A situação no LÃbano tem levantado tensões nas últimas semanas entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que insiste na eliminação da ameaça do Hezbollah a Israel.
Após o anúncio do acordo entre Washington e Teerão, o lÃder israelita disse que “a luta ainda não terminou” e que Israel permanecerá “em alerta” e determinado a atacar, se necessário, não só o Irão, como qualquer um dos seus aliados no Médio Oriente.
Em reação ao entendimento, o lÃder do Hezbollah, Naim Qassem, agradeceu hoje ao Irão pelo fim da “agressão israelo-americana” no LÃbano.
Dirigindo-se ao negociador iraniano e presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, o clérigo xiita expressou “profunda gratidão” pelos esforços do Irão “para forçar a entidade israelita a uma cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no LÃbano”.
As autoridades de Beirute têm procurado sem sucesso o desarmamento das milÃcias libanesas e hoje Trump sugeriu que a SÃria podia encarregar-se de lançar uma campanha militar contra o Hezbollah.
“Acho que a SÃria conseguiu unificar o paÃs de forma surpreendentemente rápida. Se Israel não consegue fazer o trabalho sem matar toda a gente, [a SÃria] fá-lo-á”, declarou o lÃder da Casa Branca, apesar das resistências de Damasco num envolvimento no conflito.
Israel e o Governo do LÃbano têm desenvolvido conversações de paz com o patrocÃnio de Washington, que no entanto não foram reconhecidas pelo Hezbollah.
Estão previstas novas negociações entre os governos do LÃbano e de Israel, na capital federal norte-americana, na próxima segunda-feira.
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