Novo duplo homicídio nos arredores da capital moçambicana – Polícia

Maputo, 16 jun 2026 (Lusa) – Duas pessoas foram mortalmente atingidas a tiro na Matola, num novo crime violento nos arredores de Maputo, capital moçambicana, disse hoje à Lusa fonte da polícia da República de Moçambique (PRM).

“Duas pessoas perderam a vida, mas são pessoas desconhecidas até então”, afirmou a porta-voz a PRM na província de Maputo, Carmínia Leite, sem avançar mais detalhes do crime, ocorrido na tarde de segunda-feira, assegurando estarem em curso trabalhos de investigação.

Acrescentou que o duplo homicídio ocorreu quando desconhecidos interpelaram uma viatura na zona baixa da travessia do rio Mulahuze pela estrada que liga Matola a Maputo, no troço Khongolote-Molumbela, tendo disparado contra o condutor e o acompanhante.

Imagens que entretanto circulam nas redes sociais mostram a viatura crivada de balas na parte frontal, uma prática criminal que, na Matola, tem sido recorrente no último ano.

O caso mais recente, também de duplo homicídio, ocorreu em 06 de abril, sendo uma das vítimas um agente do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), conforme confirmou o porta-voz da corporação, Hilário Lole.

Na altura, as autoridades moçambicanas avançaram que o agente foi morto quando estava “envolvido numa operação”, após ter sido alvejado a tiro na cidade da Matola, destacando-se esse como o oitavo caso violento do género conhecido publicamente, na capital, desde junho de 2025, envolvendo agentes da polícia moçambicana.

O crime anterior conhecido, igualmente na Matola, envolveu um outro agente de investigação criminal, morto a tiro na sua residência em 03 de janeiro. Em 23 de outubro, a comandante distrital da Polícia da República de Moçambique (PRM) de Marracuene, arredores de Maputo, segundo fonte da corporação, foi alvejada no interior de uma viatura ao longo da Estrada Circular, no município da Matola.

Antes, em 01 de outubro, a polícia confirmou que um agente do Sernic foi visado e ferido no tiroteio que provocou a morte de duas pessoas, atingidas por balas perdidas, igualmente na Matola.

Outro caso aconteceu em 09 de setembro, com um sargento principal alvejado mortalmente quando se encontrava no interior da sua viatura, numa zona denominada Mangueiras, área de jurisdição da sétima esquadra da polícia, no bairro T3, no mesmo município.

Em 04 de julho, pelo menos quatro pessoas foram mortas numa troca de tiros com agentes da PRM durante uma operação para impedir um assalto a uma empresa de construção civil na Matola, e em 02 de julho a PRM confirmou o homicídio de dois agentes da corporação, com 54 tiros, na manhã desse dia, e ferimentos por bala de uma mulher de 78 anos, igualmente naquele município.

O primeiro caso aconteceu igualmente na Matola, na noite de 11 de junho, quando um agente da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) da PRM foi morto com cerca de 50 tiros, no bairro Nkobe, por três homens até ao momento não identificados.

O ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos de Moçambique admitiu em 27 de outubro uma “preocupação muito grande” com a vaga de homicídios de polícias, ocorridos na Matola, pedindo ao Ministério Público para investigar e responsabilizar os autores dos crimes.

Mateus Saize disse então que o Governo moçambicano “está atento” à ocorrência destes crimes, pedindo à Procuradoria-Geral da República, através do Sernic, para avançar com investigações e responsabilizar os autores.

 

VIYS (PME) // VM

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