Deslocados em Ancuabe, Moçambique, chegam a quase 22.000 em seis semanas

Maputo, 16 jun 2026 (Lusa) — Quase 22 mil pessoas, incluindo 10.560 crianças, fugiram nas últimas seis semanas dos vários ataques terroristas no distrito de Ancuabe, província moçambicana de Cabo Delgado, segundo relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM) divulgado hoje.

Segundo o relatório daquela agência das Nações Unidas, de 01 de maio a 10 de junho ataques de grupos armados não estatais no distrito de Ancuabe desencadearam o deslocamento de 21.658 pessoas para várias aldeias e locais de acolhimento, dentro de Ancuabe e para os distritos vizinhos de Montepuez e Chiúre.

Até 12 de maio, no balanço anterior da OIM, esse total ascendia a 13.409 pessoas deslocadas só do distrito de Ancuabe e até 03 de junho tinha subido 19.325.

Nas últimas seis semanas, segundo a OIM, os maiores deslocamentos, que totalizam o equivalente a 7.115 famílias, concentraram-se em áreas como Milamba Expansão, Nanjua A, Nanjua B e Meza-Sede, que abrigaram 10.367 pessoas, a maioria deslocadas de Nacoja, Namacuile, Minheuene, Nanjua e Meza, entre outras localidades do mesmo distrito.

Entre os deslocados contam-se, de acordo com o mesmo levantamento, 6.423 mulheres, incluindo 196 grávidas, e 10.560 crianças, nomeadamente 12 não acompanhadas, além de 109 pessoas com deficiência e 492 acima de 60 anos, com a OIM a manter “preocupação com os riscos significativos de separação familiar, violência de género, perda de documentos e sofrimento psicossocial”.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

Elementos associados ao grupo extremista Estado Islâmico reivindicaram, em 07 de maio, ataques em Cabo Delgado, incluindo a destruição de uma igreja, lojas de “cristãos” e de mais de 200 casas, no distrito de Ancuabe.

Na reivindicação, através dos canais de propaganda, é referido que elementos daquele grupo “entraram em confronto” em Ancuabe, alegando terem atacado um “quartel” na aldeia de Nacoja: “Expulsaram os combatentes da aldeia, incendiaram uma igreja e cerca de 220 casas, além de várias lojas pertencentes aos cristãos”.

Um grupo atacou em 05 de maio a aldeia de Nacoja, o segundo em poucos dias no distrito de Ancuabe, disseram anteriormente à Lusa fontes da comunidade local. O ataque aconteceu a nove quilómetros de uma empresa de exploração mineira, o que obrigou à retirada de emergência do pessoal.

O ataque a Nacoja deu-se cinco dias após incursões dos rebeldes na aldeia de Minheuene, em Mazeze, onde destruíram a missão de São Luís de Monfort – construída em 1946 e símbolo da presença católica na região -, bem como dezenas de residências, raptando pelo menos 22 pessoas.

A organização ACLED registou oito eventos violentos nas duas últimas semanas de maio na província de Cabo Delgado, seis envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram oito mortos, elevando para 6.624 os óbitos desde 2017, conforme noticiado anteriormente pela Lusa.

De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 18 a 31 de maio, dos 2.397 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.214 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

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