Poupanças dos moçambicanos voltam a crescer em abril e ultrapassam 4.100 ME

Maputo, 15 jun 2026 (Lusa) – As poupanças moçambicanas através de depósitos a prazo cresceram em abril, após dois recuos mensais consecutivos, para 303.331 milhões de meticais (4.108 milhões de euros), aproximando-se de máximos, segundo dados oficiais do Banco de Moçambique.

De acordo com dados estatísticos do banco central moçambicano, esses depósitos a prazo na banca atingiram no início do ano 304.675 milhões de meticais (4.126 milhões de euros), após um crescimento de 2,4% face a dezembro, recuando consecutivamente até 299.830 milhões de meticais (4.060 milhões de euros) em março, regressando às subidas em abril.

Estes depósitos tinham atingido em junho de 2024 um total de 264.709 milhões de meticais (3.585 milhões de euros), crescendo progressivamente, todos os meses, até ao recorde de 305.871 milhões de meticais (4.142 milhões de euros) em julho de 2025.

Já os depósitos à ordem continuam a crescer, mais 2,5% num mês, para 511.362 milhões de meticais (6.925 milhões de euros) em abril, segundo os mesmos dados.

Em Moçambique, funcionam 15 bancos comerciais e 12 microbancos, além de cooperativas de crédito e organizações de poupança e crédito, entre outras.

A taxa de juro de referência para o crédito em Moçambique manteve-se inalterada em junho nos 15,50%, pelo segundo mês consecutivo, após três cortes anteriores este ano, anunciou a Associação Moçambicana de Bancos (AMB).

Desde janeiro de 2024, a taxa, conhecida como ‘prime rate’, tinha vindo progressivamente a descer, após seis meses consecutivos em máximos de 24,1%.

Este ano, em janeiro, a AMB decidiu cortar 10 pontos base à taxa, que caiu para 15,70% e em fevereiro manteve-a inalterada, apesar do corte na taxa diretora então decidida pelo banco central.

Seguiram-se cortes idênticos, de 10 pontos base, em março e em abril, e a estabilização da taxa em maio e agora em junho.

As oscilações da ‘prime rate’ estão associadas à taxa de juro de política monetária (taxa MIMO, que influencia a fórmula de cálculo da ‘prime rate’) pelo banco central, para controlar a inflação.

Antes desta decisão, em 25 de maio, o Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de referência em 9,25%, aumentou o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional e admitiu que a inflação venha a disparar para dois dígitos devido à crise dos combustíveis.

“Esta decisão decorre da prevalência de elevadas incertezas quanto à duração do conflito no Médio Oriente e ao seu impacto sobre a cadeia logística e a oferta de bens, assim como sobre os preços internacionais e domésticos dos combustíveis e alimentos”, explicou então o governador do banco central, Rogério Zandamela.

A posição foi assumida no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), em Maputo, que se realiza a cada dois meses, e que decidiu manter a taxa inalterada, tal como já o tinha feito em março, então após 12 cortes (24 meses) consecutivos desde janeiro de 2024, com Zandamela a admitir que a continuidade da pausa neste “relaxamento” da taxa MIMO depende da evolução do contexto nacional e internacional.

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