
Maputo, 12 jun 2026 (Lusa) — O ministro dos Transportes e Logística de Moçambique anunciou hoje a abertura da ferrovia do país à entrada de novos operadores, privados, visando melhorar a produtividade e travar a constante ineficiência registada em monopólio da empresa pública CFM.
“A nossa abordagem em relação a logística é clara: não se faz logística com monopólio. Nós fizemos auscultação e vamos abrir o acesso à linha férrea para diferentes intervenientes”, declarou João Matlombe, durante um encontro com a Confederação das Associações Económicas — CTA, maior agremiação de empresários, em Maputo.
Segundo o governante, a empresa pública Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), que gere a ferrovia, passará a ser uma das empresas a operar, mas não a única, numa “reforma estruturante” que vai também impulsionar, acelerar e permitir o maior uso da infraestrutura, em detrimento do sistema rodoviário.
“O monopólio, a ineficiência, ela prejudica a nossa economia e nós devemos fazer essa reforma estruturante ao nível do setor (…). Só assim vamos desbloquear esse monopólio que nós temos e esta ineficiência que estamos constantemente a registar”, disse o ministro.
João Matlombe avançou que se está a trabalhar para que a empresa pública CFM se dedique apenas à gestão da infraestrutura e “deixe que o setor privado entre nas operações” para melhorar a produtividade, criar mais opções de discussão de preços e várias opções de importação e exportação de mercadorias.
“É preciso decidirmos agora para que as coisas de facto mudem e a experiência disso é a África do Sul, que já está muito mais avançada no processo e nós continuamos relativamente atrasados”, referiu.
Já o presidente da CTA, Álvaro Massingue, sugeriu a elaboração de uma Estratégia Nacional de Competitividade Logística para fazer face aos altos custos logísticos no país, uma das “maiores preocupações dos empresários”.
“O setor privado entende que a ferrovia deve assumir um papel mais central no transporte de carga de longo curso, reduzindo custos logísticos, descongestionando estradas e aumentando a competitividade dos corredores”, disse o responsável.
Os empresários pediram melhorias na fiabilidade operacional, revisão de tarifas e reforço da capacidade logística ferroviária, acrescentando que muitos exportadores continuam a optar pelo transporte rodoviário devido à falta de previsibilidade dos serviços, limitações de material circulante, tempo de trânsito elevado e “tarifas que nem sempre refletem ganhos e eficiência”.
“O verdadeiro desafio é manter e transformar os sistemas rodoviário, ferroviário, marítimo e aéreo numa rede integrada, eficiente, digitalizada e competitiva. Se conseguirmos reduzir custos, simplificar procedimentos, melhorar a conectividade, aumentar a previsibilidade dos serviços e fortalecer a integração multimodal, Moçambique poderá consolidar-se como o principal ‘hub’ logístico da África Austral”, concluiu Massingue.
O movimento na rede ferroviária em Moçambique praticamente duplicou no primeiro trimestre do ano, para 151.400 passageiros, recuperando dos efeitos das manifestações pós-eleitorais em 2025 e apesar dos efeitos das cheias, indica um relatório governamental.
Já no transporte ferroviário de mercadorias, foram movimentadas nesse período de três meses 3,6 milhões de toneladas de carga diversa, um aumento de 14,9% face a 2025, 20% da meta para todo o ano.
Em fevereiro, o Governo moçambicano aprovou a criação de um gabinete que vai buscar investimentos para a construção e operacionalização de uma linha férrea a ligar o sul e norte do país, com o executivo a prever o seu funcionamento em oito anos.
A rede ferroviária moçambicana divide-se em três zonas, sul, centro e norte, não conectadas diretamente, mas que por sua vez ligam a vários países vizinhos, como África do Sul, Essuatíni e Zimbábue.
LN (PVJ/PME)// ANP
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