
Bruxelas, 11 jun 2026 (Lusa) — As Aldeias Históricas de Portugal, que integram a rede das aldeias Bauhaus da Europa, viram aprovado um financiamento de três milhões de euros para a segunda fase do projeto iniciado em 2022, anunciou hoje a coordenadora da rede.
“Esta segunda candidatura, que foi agora aprovada, vai assegurar a continuidade do que foi iniciado na primeira fase do projeto e permitir avançar para investimentos estruturantes”, disse à agência Lusa a coordenadora da Rede das Aldeias Históricas de Portugal, Dalila Dias.
A candidatura, que ronda os três milhões de euros, vai “trazer robustez” ao percurso iniciado em 2022 quando as aldeias históricas de Portugal integraram um projeto das Aldeias Bauhaus, através do consórcio EUROACE, que junta seis aldeias, de três regiões: Alentejo e Centro, em Portugal, e Junta da Extremadura, em Espanha.
No contexto da primeira candidatura “houve um trabalho de grande proximidade entre as seis localidades que estiveram integradas, com um diálogo muito aberto e próximo junto das comunidades para tentar identificar quais eram as maiores necessidades daquela população”, explicou Dalila Dias, que hoje levou as aldeias históricas de Portugal e da Estremadura espanhola ao Festival da Nova Bauhaus Europeia, em Bruxelas.
Durante cerca de dois anos foram realizados ‘workshops’ para perceber a realidade de cada uma das povoações e as dinâmicas entre elas e foram identificadas soluções, algumas das quais têm vindo a ser implementadas, de acordo com as especificidades destes territórios, nalguns casos com património classificado.
Do trabalho no terreno ficou clara “a importância das questões da necessidade de atividade económica, de mobilidade, mas também da identidade de cada uma das seis aldeias”.
Ao longo do processo, segundo Dalila Dias, ficou também claro que “tem de haver uma equipa técnica que procure novas formas de financiamento, porque as coisas não podem durar apenas enquanto decorrem os projetos financiados”.
Essa será uma questão “que vai ser resolvida agora nesta segunda candidatura”, a par com um maior investimento em ações físicas, que respondam a anseios da população como “ter um espaço público mais verde, ou de mais soluções de mobilidade, ou outro tipo de intervenções”, explicou.
Entre os exemplos de ações a financiar poderão estar o “devolver de um rio à população, para que as pessoas possam tirar mais partido daquilo que é o próprio leito do rio numa zona de lazer, numa zona de estar”, em aldeias em que as pessoas já tiveram essa ligação e agora a querem recuperar.
Ou ainda, exemplificou Dalila Dias, “criar um corredor verde que una os dois núcleos da povoação de Sortelha, um com um capital histórico, arquitetónico, arqueológico, que é a aldeia histórica, e depois tem o outro lado, que no fundo foi a ampliação da própria localidade, fora muralhas”. Neste caso, “quase que parecia haver ali uma divisão entre o povo de baixo, o povo de cima, e daí a vontade de se criar um corredor verde de ligação numa perspetiva de harmonização entre as duas comunidades”.
O exemplo das aldeias históricas de Portugal foi hoje um dos projetos em destaque no festival que, durante cinco dias, coloca o foco na procura de soluções para a habitação sustentável e acessível.
O Festival da Nova Bauhaus Europeia decorre até sábado, no Parque do Cinquentenário, em Bruxelas, juntando “criadores, inovadores e agentes de mudança” dos vários países da União Europeia, para refletir sobre “como as comunidades podem trabalhar juntas para projetar casas e bairros mais sustentáveis, inclusivos e resilientes”.
O festival, promovido pela Comissão Europeia, adotou este ano o lema “Vida. Espaços. Edifícios”.
*** A Lusa viajou a convite da Comissão Europeia ***
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