PR moçambicano pede coordenação regional no combate à pesca ilegal em África

Maputo, 11 jun 2026 (Lusa) — O Presidente de Moçambique defendeu hoje coordenação regional, instituições robustas e confiança mútua no combate à pesca ilegal em África, que causa perdas anuais estimadas em 400 milhões de dólares (347 milhões de euros) na região da áfrica austral.

“Cada embarcação que captura recursos de forma ilegal representa receitas que deixam de entrar nos cofres dos nossos países. Representa oportunidades de emprego que deixam de ser criadas e riqueza que deixa de beneficiar às comunidades africanas”, disse Daniel Chapo, na inauguração do Centro Regional de Coordenação de Monitorização, Controlo e Fiscalização das Pescas da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), na Katembe, cidade de Maputo.

Segundo o chefe de Estado, a pesca ilegal ameaça a soberania económica, segurança alimentar, meios de subsistência e o futuro das próximas gerações dos Estados-membros, com perdas anuais de cerca de 2.000 milhões de dólares (1.700 milhões de euros) na África subsaariana e 400 milhões de dólares na região da SADC, o que exige uma “reposta que ultrapassa as fronteiras nacionais”.

“O combate à pesca ilegal exige (…) coordenação regional, partilha de informação entre os países, harmonização de procedimentos, capacidades técnicas e institucionais robustas e confiança mútua entre os nossos Estados da região. É precisamente para responder a este desafio que este Centro foi criado”, defendeu o Presidente de Moçambique.

Para Chapo, o verdadeiro valor do centro não será medido pela imponência das suas instalações, mas pela capacidade de preservar recursos, proteger empregos e pela prosperidade que ajudará a construir em toda a África austral.

Através do centro, os Estados-membros da SADC poderão reforçar a partilha de informações, melhorar a monitorização das embarcações, harmonizar a fiscalização, fortalecer as capacidades institucionais e promover operações coordenadas de combate à pesca ilegal, que representa uma das maiores ameaças à sustentabilidade dos recursos pesqueiros da região, avançou o chefe de Estado.

“Num contexto em que as ameaças se tornam cada vez mais transnacionais, nenhum Estado consegue agir isoladamente. A resposta eficaz requer instituições regionais fortes, com mecanismos permanentes de coordenação e soluções coletivas para desafios comuns”, afirmou.

A construção do centro foi financiada pelo Banco Mundial e parceiros de cooperação, disse o Presidente, agradecendo o apoio à proteção de recursos naturais essenciais, à integração regional e à construção de “um futuro mais seguro e mais próspero” para a região da SADC.

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