
Lisboa, 09 jun 2026 (Lusa) — Portugal está entre os paÃses europeus que mais processa cocaÃna, tendo sido desmantelados em 2024 quatro laboratórios e apreendidas 23 toneladas, a sexta maior quantidade entre os Estados-membros da União Europeia (UE).
Os dados constam do relatório de 2026 da Agência da UE sobre Drogas (EUDA, na sigla em inglês) hoje divulgado e que alerta para a deteção de um maior número de instalações para a produção, extração, diluição e embalagem de cocaÃna nos últimos anos, o que indicia que são utilizados métodos inovadores para o tráfico para a Europa.
“Grandes quantidades de cloridrato de cocaÃna são processadas na Europa, principalmente na Bélgica, PaÃses Baixos, Espanha e Portugal, a partir de produtos intermédios”, como a pasta de cocaÃna, avança o documento.
Segundo a EUDA, em 2024 seis paÃses europeus reportaram o desmantelamento de 42 locais relacionados com a produção de cocaÃna, mais oito do que no ano anterior, 24 dos quais nos PaÃses Baixos, sete na Alemanha, quatro em Portugal, quatro na Bélgica, dois na Itália e um na Alemanha.
O relatório indica ainda que em 2024 registaram-se na UE cerca de 97.000 apreensões de cocaÃna, num total de 330 toneladas, quantidade que baixou em relação à s 419 toneladas de 2023.
Em conjunto, Espanha (124 toneladas), França (53,5) e Bélgica (44,6) representaram 67% da quantidade total apreendida, salienta a EUDA, adiantando que foram também reportadas quantidades significativas pelos PaÃses Baixos (37,6), Alemanha (23,8), Portugal (23), Itália (11), Irlanda (3,3) e Turquia (2,5).
Entre os 20 paÃses da UE que forneceram dados, a cocaÃna, a segunda droga ilÃcita mais consumida depois da canábis, foi responsável por 1.133 mortes por ‘overdose’ (27%) em 2024 e 1.053 mortes (26%) em 2023.
Em 2024, a cocaÃna esteve “envolvida na maioria das mortes por ‘overdose’ em Espanha, Chipre, Luxemburgo, Malta e Portugal”, adianta ainda o relatório que apresenta as tendências e a evolução da droga na Europa.
Os dados revelam que o consumo de cocaÃna continua elevado em toda a Europa, tendo cerca de 4,3 milhões de adultos europeus com idades entre os 15 e os 64 anos consumido esta droga no último ano.
“Globalmente, a produção de cocaÃna na América do Sul está no seu nÃvel mais elevado de sempre e os dados de águas residuais confirmam que a sua utilização continua a aumentar em muitas cidades europeias”, avisa a agência, que reconhece que os dados sobre as apreensões estão agora mais complexos.
Segundo o relatório, em 2024, os Estados-membros da UE reportaram mais apreensões de cocaÃna, mas uma menor quantidade total apreendida, embora o total permaneça superior ao de 2022.
“Apesar de não ser possÃvel tirar conclusões definitivas nesta fase, os dados sugerem que, no meio de um perÃodo de maior atividade policial e alfandegária, houve uma mudança para remessas mais pequenas ou mais fragmentadas e rotas e métodos de tráfico mais variados”, explica a EUDA.
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