MDM quer novas políticas em Moçambique para lidar com xenofobia na África do Sul

Maputo, 08 jun 2026 (Lusa) – O presidente do partido Movimento Democrático de Moçambique (MDM) defendeu hoje a correção das políticas públicas nacionais de promoção de emprego e atração de investimentos estrangeiros para fazer face aos recentes ataques xenófobos na África do Sul.

“Urge, de facto, corrigir as políticas públicas, não só de promoção de emprego, assim como de atração de investimentos estrangeiros e isso passa, necessariamente, pela industrialização da agricultura”, disse Lutero Simango, em conferência de imprensa, em Maputo.

A posição do MDM, terceira força da oposição, surge num contexto de crescente tensão social na África do Sul, que já forçou o repatriamento de mais de 700 moçambicanos na sequência de ataques xenófobos contra cidadãos estrangeiros, situação que terá causado pelo menos nove mortos moçambicanos e acentuado a necessidade de resposta interna ao regresso de trabalhadores, sobretudo nas minas e agricultura do país vizinho.

Para o político, aliado ao desenvolvimento da agricultura, é urgente o desenvolvimento da política estratégica de gestão e conservação das águas, que passa necessariamente pela construção de barragens.

“É também muito importante e urgente potenciar o ensino técnico para garantir mão-de-obra qualificada”, concluiu Simango.

Pelo menos 16 menores de idade estão entre os 169 moçambicanos repatriados no fim de semana provenientes das localidades de Mossel Bay e Hermanus, na província do Cabo Ocidental, África do Sul, vítimas de ataques xenófobos, avançou o Governo, no domingo.

Segundo um comunicado divulgado pelo Gabinete de Informação de Moçambique, as missões diplomáticas e consulares moçambicanas na África do Sul mantêm o acompanhamento permanente da situação e continuam a prestar a necessária assistência aos cidadãos afetados.

Na província de Gauteng foram reportados incidentes envolvendo cidadãos estrangeiros durante manifestações ocorridas em Daveyton, nos arredores de Joanesburgo, sem registo de moçambicanos afetados.

Na informação, o Governo indica ainda que, na província de KwaZulu-Natal, o Consulado de Moçambique em Durban acompanhou relatos de preocupação de membros da comunidade moçambicana, face ao ambiente de intimidação associado aos recentes discursos anti-imigração.

Com estes 169, adicionados aos 545 que chegaram ao país na terça-feira, sobe para 714 o número de cidadãos moçambicanos já repatriados na última semana, na sequência de ataques xenófobos na vizinha África do Sul.

Manifestantes sul-africanos deram um prazo até 30 de junho para todos os estrangeiros abandonarem a província sul-africana de Kwazulu-Natal, conforme informação adiantada anteriormente pelo Governo moçambicano.

Em 01 de junho, o executivo avançou que mais de 800 moçambicanos residentes na cidade de Mossel Bay, Cabo Ocidental, foram vítimas de ações de xenofobia, dois dias antes, que até então já tinham provocado nove mortos.

As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul. Inúmeras comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de críticas internacionais por xenofobia. Os incidentes mais graves dos últimos tempos ocorreram no final de 2019, com 18 estrangeiros mortos, segundo dados da organização Human Rights Watch.

Moçambique tem cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que “milhares” já regressaram ao país face à violência.

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