Netanyahu analisa com conselheiros de Trump “guerra jurídica contra Israel”

Jerusalém, Israel, 07 jun 2026 (Lusa) – O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, reuniu-se hoje com conselheiros jurídicos do Presidente norte-americano, Donald Trump, para analisar “a ameaça” de uma “guerra jurídica contra Israel”, indicou o seu gabinete num comunicado.

Segundo a nota, Netanyahu e a delegação norte-americana também abordaram as ameaças jurídicas enfrentadas pelos Estados Unidos e pelas “demais nações democráticas que combatem o terrorismo a nível mundial”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, adiantou que outros altos responsáveis do Governo norte-americano estiveram também presentes na reunião em Jerusalém.

Entre eles, o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, o assistente presidencial e secretário pessoal da Casa Branca, Will Scharf, e Daniel Jorjani, conselheiro do Presidente norte-americano.

“Foram discutidos desafios mútuos para Israel e os Estados Unidos, incluindo a distorcida guerra jurídica e económica”, escreveu Saar na rede social X.

O termo “guerra jurídica (lawfare)” é comummente utilizado no discurso israelita para descrever uma suposta manipulação do sistema judicial e dos mecanismos legais por parte de Governos estrangeiros ou organizações internacionais numa alegada campanha politicamente motivada contra o Estado de Israel.

Esta reunião ocorreu no mesmo dia em que Trump assegurou que ele e Netanyahu estão em sintonia, passados 100 dias desde o início da guerra contra o Irão, a 28 de fevereiro, apesar de se manterem divergências quanto à ofensiva militar de Israel no Líbano.

Numa entrevista hoje difundida pela estação televisiva norte-americana NBC, Trump afirmou que se dá “muito bem” com Netanyahu.

“Temos sido grandes camaradas. Fizemos um trabalho muito, muito importante com um certo país que mais não foi que um problema durante 47 anos. Discordo dele num par de coisas”, disse o chefe de Estado norte-americano.

Questionado sobre se as suas divergências derivam dos contínuos bombardeamentos de Israel sobre território libanês, Trump esclareceu que gostaria de ver um “ataque mais cirúrgico contra o [movimento xiita libanês] Hezbollah”.

Em contraste com as declarações públicas de Trump, que dias antes tinha chamado a Netanyahu “completamente louco”, o Pentágono elevou o nível de alerta de contraespionagem em relação a Israel de “alto” para “crítico”, o nível mais grave, por entre crescentes preocupações de que os serviços secretos israelitas estejam a espiar “hiperagressivamente” altos responsáveis norte-americanos, noticiou no sábado o diário The New York Times.

De acordo com documentos internos da Agência de Inteligência de Defesa (DIA) citados pelo New York Times e pelo canal NBC News, o alerta é uma resposta ao aumento dos esforços israelitas para intercetar deliberações internas do Governo Trump.

O principal objetivo seria obter informações em primeira mão sobre a estratégia de Washington nas negociações de paz com o Irão.

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