
Santiago do Chile, 07 jun 2026 (Lusa) – Milhares de pessoas marcharam no centro da capital do Chile para rejeitar as políticas do Presidente José Antonio Kast, incluindo um drástico corte orçamental e a possibilidade de perdão para autores de crimes contra a humanidade.
Organizada pela Coordenação Nacional de Organizações de Direitos Humanos e Sociais, a manifestação de sábado, em Santiago do Chile, foi pacífica e terminou sem incidentes.
“Esperamos que o presidente ouça [os manifestantes], mas que também ouça as vítimas de todos estes assassinos que agora querem ser libertados”, disse a senadora Fabiola Campillai, vítima da repressão policial no Chile durante os protestos de 2019, quando perdeu a visão e o olfato após baleada pela polícia.
A marcha, que partiu da icónica Plaza Baquedano em direção ao Palácio Presidencial de La Moneda, ao longo da principal avenida da capital, foi convocada como um protesto “Contra a Impunidade”.
Isto depois de Kast não ter descartado a possibilidade de conceder indultos presidenciais a autores de crimes contra a humanidade.
“A paz social não se conquista concedendo indulto àqueles que, no tempo, assassinaram, torturaram e fizeram desaparecer o nosso povo, os nossos homens e mulheres chilenos”, enfatizou Campillai.
Numa entrevista transmitida pela sexta-feira, o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos do Chile, Fernando Rabat, não descartou a possibilidade de conceder indultos a autores de crimes contra a humanidade condenados por delitos cometidos durante a ditadura civil-militar (1973-1990), afirmando que “as circunstâncias de cada caso determinarão a resposta”.
Em 01 de junho, o Presidente chileno, José Antonio Kast, admitiu no parlamento que a política de austeridade, que visa organizar as finanças públicas e impulsionar o crescimento económico, vai causar dor, mas garantiu que não haverá cortes nos programas sociais.
Kast reiterou que a situação económica e fiscal do país “é ainda mais complexa” do que acreditava antes de assumir o cargo em 11 de março, e justificou o seu ambicioso plano de austeridade, que visa cortar seis mil milhões de dólares em 18 meses.
Poucos dias depois de ter tomado posse, o Presidente ordenou um corte médio de 3% em todos os ministérios, que até agora totaliza dois mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros, à taxa de câmbio atual), segundo dados oficiais.
O Ministério da Saúde é o mais afetado, com um corte de 462 milhões de dólares (400 milhões de euros), o equivalente a 2,5% do seu orçamento, enquanto o Ministério da Cultura sofre a maior redução percentual, próxima dos 10%.
Desde que Kast tomou posse, a 11 de março, a Unidade de Programas de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, o organismo mais importante na perseguição de crimes contra a humanidade e responsável pela busca de desaparecidos, sofreu um corte orçamental de quase um milhão de dólares.
VQ (DMC) // VQ
Lusa/Fim
