
Um novo estudo volta a levantar dúvidas sobre o impacto do acordo energético entre o Governo federal e Alberta na redução das emissões no Canadá.
A análise, do “Canadian Climate Institute”, conclui que o memorando de entendimento assinado a 15 de maio, em Calgary, pelo primeiro-ministro Mark Carney e pela premier de Alberta, Danielle Smith, terá efeitos reduzidos na trajetória de descarbonização do país.
O acordo estabelece uma nova estrutura para o preço do carbono industrial na província, com metas de 100 dólares por tonelada até 2027 e 130 dólares até 2040.
No entanto, o estudo alerta que as alterações ao sistema tornam-no mais permissivo, permitindo às indústrias acumular créditos de carbono e reduzindo a pressão para cortar emissões.
Segundo o economista Dave Sawyer, autor da análise, o modelo poderá reduzir os incentivos para que as empresas invistam em tecnologias mais limpas.
O relatório prevê ainda um excesso de créditos de baixo custo após 2030, o que poderá fragilizar o funcionamento do mercado de carbono.
Apesar de o Governo federal defender que o novo modelo reforça o sistema, o estudo conclui que o impacto real nas emissões será reduzido, mantendo praticamente inalterada a trajetória ambiental do país.
A análise alerta também para o risco de o sistema gerar apenas “conformidade no papel”, sem reduções efetivas da poluição.
Em aberto permanece a forma como Ottawa e Alberta irão lidar com o eventual excesso de créditos no mercado, numa altura em que o preço do carbono já registou oscilações desde o anúncio do acordo.



