
Maputo, 05 jun 2026 (Lusa) – A moçambicana Renamo exigiu hoje ao Governo sul-africano uma posição firme contra ataques xenófobos, para reduzir prejuízos de moçambicanos, advertindo que poderá divulgar, em uma semana, uma lista de bens de cidadãos daquele país em Moçambique.
“Os nossos irmãos foram expropriados e retirados os seus bens. Exigimos uma posição firme do governo da África do Sul e da Embaixada Sul-Africana para que medidas sejam tomadas a minimizar a situação de pobreza, a situação de perda dos nossos irmãos, sob pena de também, até o dia 12, entregarmos esta lista a todos os nossos irmãos que perderam seus bens na África do Sul, para que ocupem estas residências, estes postos”, disse hoje em conferência de imprensa Marcial Macome, porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), em Maputo.
Segundo o responsável, se o Governo moçambicano não consegue salvaguardar o bem-estar da população, “significa que não tem compromisso com este povo”.
“Se tivesse compromisso, a primeira coisa que poderia fazer é impor-se diante destas atrocidades. Ou a África do Sul para com isto, ou nós também vamos fazer o mesmo aqui”, afirmou.
Se até 12 de junho não cessar os ataques contra nacionais, a Renamo defendeu que se ocupem empreendimentos dos sul-africanos no país.
“Se medidas não forem tomadas, iremos divulgar e tornar pública a lista destes `lodges´, destes patrimónios todos, ao nível da República de Moçambique”, concluiu Marcial Macome.
Pelo menos 150 moçambicanos afetados pelos recentes ataques xenófobos na África do Sul encontram-se acolhidos em centros temporários naquele país à espera de repatriamento, anunciou na quinta-feira o Governo.
Em conferência de imprensa, em Maputo, o ministro da Saúde, Ussene Isse, afirmou que as autoridades moçambicanas continuam a acompanhar a situação dos cidadãos afetados pelos incidentes registados na província sul-africana do Cabo Ocidental, mantendo em curso operações de assistência humanitária e proteção consular.
A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder) defendeu no mesmo dia a valorização da ancestralidade para travar ataques xenófobos na África do Sul, encorajando o Governo a prosseguir ações patrióticas na busca de soluções com o país vizinho.
“Compreender essa essência da nossa ancestralidade é muito mais forte do que qualquer diálogo de natureza institucional entre autoridades políticas dos dois Estados”, disse hoje Pedro Guiliche, porta-voz da Frelimo, questionado pelos jornalistas durante uma conferência de imprensa em Maputo.
Moçambique recebeu na terça-feira, através da fronteira de Ressano Garcia, 545 cidadãos repatriados da África do Sul na sequência dos recentes ataques xenófobos em Mossel Bay, divulgou hoje o Governo.
O repatriamento ocorre depois de as autoridades moçambicanas terem anunciado que pelo menos sete cidadãos morreram e mais de 800 foram afetados por ataques xenófobos em Mossel Bay, mantendo o Governo o acompanhamento da situação e a assistência aos compatriotas afetados naquele país vizinho.
As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul. Inúmeras comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de críticas internacionais por xenofobia. Os incidentes mais graves dos últimos tempos ocorreram no final de 2019, com 18 estrangeiros mortos, segundo dados da organização Human Rights Watch.
Moçambique possui cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que “milhares” já regressaram ao país face à violência.
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Lusa/Lusa
