
Lisboa, 05 jun 2026 (Lusa) – A UNESCO designou hoje 14 novas reservas da biosfera em 14 paÃses, incluindo o parque nacional Nino Konis Santana, em Timor-Leste, considerado “uma das paisagens ecologicamente mais significativas” do sudeste asiático.
A designação hoje anunciada, que abrangeu também a Serra da Estrela em Portugal, é primeira de Timor-Leste e um marco na criação do parque – batizado em homenagem a um comandante da luta pela independência do paÃs lusófono – na ponta leste da ilha, na interseção do ‘ninho’ de biodiversidade de Wallacea e do Triângulo de Coral.
A reserva Nino Konis Santana “alberga a maior floresta primária remanescente do paÃs, com recifes de coral com cerca de 500 espécies de peixes”, além do Lago Iralalaro, “o sÃtio de água doce mais importante de Timor-Leste” e Nusa Tenggara, que alberga 50 espécies de aves aquáticas, refere a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.
A nova reserva da biosfera timorense acolhe 168 espécies de aves, incluindo algumas ameaçadas como a catatua-de-crista-amarela, e répteis como a tartaruga-de-pescoço-de-cobra, além de morcegos endémicos, quatro dos quais poderão ser novas espécies para a ciência.
“A sagrada Ilha de Jacob, rodeada por recifes de coral e falésias calcárias, possui um profundo significado espiritual para as comunidades locais”, que “pescam com linhas de mão e redes tradicionais, tecem os tecidos Tais, cultivam baunilha e cacau” e “são o tecido vivo desta paisagem”, descreve a UNESCO.
As reservas da biosfera da UNESCO são territórios de valor ecológico excecional, integrando habitantes e a natureza, conservando a diversidade biológica e cultural, promovendo o desenvolvimento sustentável e ligando as comunidades numa rede global.
Juntamente com os sÃtios naturais do Património Mundial e os Geoparques Globais, contribuem para proteger mais de 13 milhões de quilómetros quadrados de ecossistemas terrestres e marinhos, sob a égide da UNESCO.
Juntamente com as novas reservas da biosfera em Timor-Leste e Portugal, foram designadas novas congéneres na Albânia, Argélia, Aruba, Azerbaijão, Camarões, Canadá, República Islâmica do Irão, Mongólia, Montenegro, Paraguai, Filipinas e Vietname.Â
Aruba tornou-se o segundo paÃs a ter todo o seu território designado como reserva da biosfera.
Foram ainda aprovadas extensões territoriais para cinco reservas da biosfera já existentes na China, Itália e Espanha.
As designações elevam a Rede Mundial de Reservas da Biosfera para 797 sÃtios em 145 paÃses. Â
Este ano, pela primeira vez, foi designada como reserva da biosfera uma cidade inteira, Quebeque (Canadá).
“As designações deste ano abrangem todos os continentes, demonstrando toda a amplitude do que é viver em harmonia com a natureza. A UNESCO continuará a trabalhar com governos, comunidades e cientistas para garantir que estes laboratórios vivos se mantêm na vanguarda da resposta mundial à s crises climáticas e da biodiversidade”, refere a agência.Â
O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) adiantou, em comunicado, que a aprovação da candidatura da Serra da Estrela à Rede Mundial de Reservas da Biosfera foi anunciada hoje na 38.ª sessão do Conselho Internacional de Coordenação do Programa Homem e Biosfera (MAB), que decorre no Centro de Convenções Itaipu Roga, em Hernandarias, Paraguai, desde 03 de junho.
Com esta aprovação, Portugal passa a contar com 14 Reservas da Biosfera da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), lembrou o ICNF.
Já a Serra da Estrela passa a deter duas designações UNESCO para o mesmo território: o Geopark Global UNESCO, reconhecido em julho de 2020, e agora a Reserva da Biosfera. Â
A candidatura foi promovida pela AGE – Associação Geopark Estrela, com coordenação cientÃfica de Helena Freitas, do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra.Â
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, realçou que o reconhecimento é “uma oportunidade para reforçar a sustentabilidade da Serra da Estrela, colocando a inovação e a educação ambiental ao serviço das comunidades e das gerações futuras”.Â
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