
Tivat, Montenegro, 05 jun 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro indicou hoje que Portugal apoia a integração gradual dos Balcãs Ocidentais na União Europeia (UE) e o estatuto de membro associado para a Ucrânia, afirmando que o bloco precisa desses mecanismos se quiser ser um ator global.
Em declarações aos jornalistas no final da cimeira dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) com os seus homólogos dos Balcãs Ocidentais, na cidade costeira de Tivat, no Montenegro, o primeiro-ministro referiu que os lÃderes europeus mostraram um “forte compromisso em poder acelerar o processo de adesão” dos paÃses da região e em desenvolver um “modo de funcionamento intercalar que crie condições de maior envolvimento”.
Em causa está uma proposta defendida pela França e a Alemanha para que os paÃses dos Balcãs Ocidentais possam ser gradualmente integrados na UE, obtendo, à medida que vão cumprindo determinadas etapas nas negociações, algumas regalias – como, por exemplo, acesso parcial ao mercado único ou estatuto de observador nas reuniões do bloco -, apesar de não serem membros plenos.
A “proposta em cima da mesa, da França e da Alemanha, mereceu, de uma forma generalizada, acolhimento quanto aos princÃpios. Portugal manifestou também a sua disponibilidade e a sua abertura para poder desenvolver esse método de acelerar o processo de integração”, indicou LuÃs Montenegro.
O primeiro-ministro salientou que, na prática, isso permitiria que os paÃses dos Balcãs Ocidentais tivessem um envolvimento maior na UE, seja a nÃvel presencial, “através da participação em reuniões, seja ao nÃvel da articulação das polÃticas”, para que possam ser elaboradas projetos conjuntos a nÃvel da energia, polÃtica de segurança ou conectividade.
LuÃs Montenegro defendeu que os paÃses dos Balcãs Ocidentais “fazem falta à Europa”, “reforçam a ideia de autonomia estratégica” do continente e “consubstanciam a ideia de paz, de valorização democrática e de desenvolvimento económico da Europa como um todo”.
“E isso foi um grande avanço face à quilo que tinha sido a última cimeira que decorreu em Bruxelas entre a UE e os Balcãs Ocidentais” em dezembro, assinalou.
Questionado se Portugal também apoia a proposta alemã para dar à Ucrânia o estatuto de membro associado da UE — através do qual poderia participar nas cimeiras europeias, mas sem poder votar — enquanto finaliza o processo de adesão, o primeiro-ministro salientou que a lógica “é muito semelhante” à dos Balcãs Ocidentais.
“É uma lógica de não ficarmos reféns do processo formal, não vou chamar-lhe burocrático, mas do processo do cumprimento de regras de mérito que são necessárias, mas de darmos um sinal polÃtico”, referiu.
LuÃs Montenegro defendeu que a Europa precisa de “ter estes mecanismos de evolução”, sob pena de estar “permanentemente na lentidão de processos a ficar para trás do ponto de vista da sua afirmação enquanto bloco que, à escala internacional, pode estar ao lado das grandes potências”.
“Vamos pôr-lhes os nomes: dos Estados Unidos, da China, também da Rússia e de todos os Estados emergentes”, frisou.
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