
Washigton, 02 jun 2026 (Lusa) — O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou hoje que o Irão aceita negociar aspetos do seu programa nuclear que anteriormente se recusava a discutir, devido à ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel.
Durante uma audição no Senado norte-americano, Rubio classificou a operação militar iniciada em 28 de fevereiro como “altamente bem-sucedida”, defendendo que os ataques reduziram drasticamente as capacidades iranianas nas áreas dos mísseis e dos drones.
Segundo o chefe da diplomacia norte-americana, embora Teerão continue a possuir um número significativo de drones, o seu sistema convencional de defesa foi “substancialmente corroído”.
Rubio sustentou que a nova situação abriu espaço para contactos diplomáticos sobre o programa nuclear iraniano, incluindo questões relacionadas com as reservas de urânio altamente enriquecido.
“O Irão concorda agora em negociar aspetos do seu programa nuclear que, há apenas um mês, ou mesmo um ano, se recusava sequer a mencionar”, declarou.
O secretário de Estado afirmou que Washington pretende alcançar, numa primeira fase, um acordo para a cessação das hostilidades e a reabertura do estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo.
Numa etapa posterior, os Estados Unidos pretendem iniciar negociações sobre limitações ao programa nuclear iraniano, incluindo o futuro do urânio altamente enriquecido armazenado em instalações subterrâneas.
Rubio defendeu que Teerão terá de aceitar “limitações severas e de longo prazo” ou mesmo a eliminação das atividades de enriquecimento de urânio em território iraniano para que seja possível alcançar um entendimento.
Questionado sobre um eventual alívio das sanções em troca da reabertura do estreito de Ormuz, Rubio rejeitou essa hipótese.
“Não, isso não foi discutido. Não oferecemos essa possibilidade”, afirmou, acrescentando que qualquer levantamento de sanções estará diretamente ligado a compromissos verificáveis do Irão sobre o seu programa nuclear.
O responsável reconheceu que as negociações permanecem numa fase preliminar e que a tomada de decisões por parte das autoridades iranianas é frequentemente lenta e complexa.
O secretário de Estado norte-americano avisou ainda que, caso os contactos diplomáticos fracassem, os Estados Unidos continuarão a enfrentar “um problema” relacionado com as ambições nucleares iranianas, embora considere que a posição estratégica de Teerão foi enfraquecida pela guerra iniciada em fevereiro.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, acrescentou ainda acreditar que o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, está vivo e “cada vez mais envolvido” nas negociações com Washington para pôr fim à guerra e reabrir o estreito de Ormuz.
“Não o vimos em público e imagino que, dado o que aconteceu com vários líderes do regime, ser muito visível em público provavelmente não seja algo recomendado internamente”, disse o principal diplomata norte-americano.
“Dito isto, penso que há indícios de que ele está cada vez mais envolvido, de alguma forma, em todas as comunicações, tanto através de textos como através de intermediários”, acrescentou Rubio.
Mojtaba Khamenei foi nomeado líder supremo do Irão após o assassinato do seu pai, Ali Khamenei, que liderava o país desde 1989, a 28 de fevereiro, primeiro dia da ofensiva lançada por Israel e pelos Estados Unidos contra a República Islâmica.
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