Atletas paralímpicos inspiram crianças com ‘ajuda’ do duque de Edimburgo

Carcavelos, Lisboa, 02 jun 2026 (Lusa) — Alguns atletas paralímpicos portugueses inspiraram hoje alunos da escola St. Julian’s, em Carcavelos, durante a visita ao mesmo local do duque de Edimburgo, que interagiu e deu visibilidade ao desporto para pessoas com deficiência.

De manhã, os alunos do colégio internacional britânico puderam experimentar e aprender com atletas e treinadores de algumas modalidades paralímpicos, como o atletismo (corrida em cadeira de rodas e lançamento de club), o boccia e o judo.

Perante crianças curiosas e interessadas, o duque de Edimburgo, Eduardo, rumou ao local e, além de interagir com os mais novos, mostrou-se bem conhecedor dos principais resultados obtidos pelos atletas presentes, para surpresa dos mesmos.

O evento contou com a presença dos presidentes das federações de atletismo e judo, Domingos Castro e Joaquim Sérgio Pina, respetivamente, além do presidente do Comité Paralímpico de Portugal (CPP), José Manuel Lourenço, que falou à Lusa.

“A questão da reciclagem começou há mais de 30 anos, através da escola. Estou convencido de que a mudança cultural, que ainda precisamos que se faça sentir, será através da escola. Apesar da evolução que nós fizemos no que diz respeito ao olhar que a sociedade tem sobre as pessoas com deficiência, ainda há um grande caminho a fazer. É através da escola que os alunos levam a mensagem para casa e todo este processo pode ajudar a ‘reciclar’ o nosso paradigma nacional”, afirmou.

Divididas por grupos a rodar pelas modalidades, as crianças puderam estar com o judoca Djibrilo Iafa e os atletas Mamudo Baldé, Rafael Neto e Lenine Cunha, que marcaram presença no conjunto das atividades realizadas no colégio St. Julian’s.

Com deficiência visual, Djibrilo Iafa expressou à Lusa que a mensagem que tenta passar aos mais novos é que o judo “não é para ver, é para sentir”, e frisou como a modalidade “tem sido fundamental”, por aplicar ensinamentos no seu quotidiano.

“Tento sempre partilhar um pouco da minha experiência, não só enquanto atleta paralímpico, mas como pessoa. O que aprendemos no tapete é o que tentamos aplicar no nosso dia a dia. O meu objetivo passa sempre por tentar partilhar com os mais novos – que são o presente e futuro da nossa sociedade — um pouco da minha história, sempre esperando que sirva para eles e para mim também”, disse.

Sobre a interação com o irmão do Rei Carlos III, Djibrilo Iafa surpreendeu-se com o conhecimento do elemento da família real britânica sobre a medalha de bronze que conquistou nos Jogos Paralímpicos de Paris2024, sobre a qual o parabenizou.

“Foi muito bom. Ele interagiu muito bem comigo, deu-me os parabéns e mostrou a sua admiração pela minha pessoa. Eu estou muito agradecido, não estava nada à espera. O duque de Edimburgo aparecer e ser conhecedor dos meus resultados é sempre gratificante”, reconheceu o judoca, de 33 anos, nascido na Guiné-Bissau.

O atleta Mamudo Baldé, de apenas 21 anos, chegou a este evento após ter batido recentemente o recorde europeu dos 100 metros na classe T54, e nunca pensou conviver com o duque de Edimburgo, com o qual sentiu somente “boas energias”.

“Acho que é uma coisa boa sentir que, de certa forma, nós deixamos um bocado da nossa marca nas crianças e que elas vejam coisas de uma maneira diferente. Depois, quando nos voltarem a assistir na televisão, já conseguem entender o que é participar em competições como Mundiais e Jogos”, explicou, acrescentando: “O duque foi uma surpresa. Estou muito contente, ele tem uma boa energia e senti que tem uma grande proximidade com as crianças, que é um fator fundamental”.

A visita de três dias dos Duques de Edimburgo visa celebrar os laços históricos e a parceria moderna entre Reino Unido e Portugal, e assinalar o 640.º aniversário do Tratado de Windsor, que serve de base para a mais antiga aliança diplomática do mundo.

 

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