
Praia, 02 jun 2026 (Lusa) — O Presidente cabo-verdiano apelou hoje à segurança nos mercados do país como uma tarefa coletiva, numa visita à zona incendiada em Ponta Belém, cidade da Praia, em que se solidarizou com o município e com 52 vendedoras atingidas.
“É um trabalho que todos, sociedade, empresas, municípios, Estado e cidadãos, todos temos de fazer”, referiu José Maria Neves, enquanto dava palavras de conforto a quem se lhe dirigia a pedir ajuda, depois do fogo de domingo.
“A minha casa também foi afetada”, queixava-se uma mulher, cuja habitação, que já esteve coberta por um seguro, mas “deixou de estar”, foi parcialmente atingida pelas chamas, que destruíram um dos tradicionais mercados de rua da capital dedicados a pronto-a-vestir.
As chamas puxadas pelo vento cresceram e tomaram também um edifício contíguo.
“Agora também preciso de uma ajuda”, referia a residente ao chefe de Estado, que garantiu a todos uma avaliação dos danos, num trabalho que deverá envolver câmara e Governo, porque a situação “é urgente”.
Segundo referiu, “deve ser feita uma avaliação, não só sobre as infraestruturas atuais, mas também futuras. Tanto os serviços dos bombeiros municipais como a proteção civil nacional devem ter um mapa sobre todos os riscos existentes”, referiu José Maria Neves.
Fernando Pinto, presidente do município, que acompanhou a visita ao local, disse que os mercados da cidade estão sinalizados, “alguns com intervenções, outros a melhorar”, mas o objetivo é desconcentrar o movimento que se acumula à porta do mercado de Sucupira, o mais lotado da capital — e cujo movimento reflete o peso da economia informal no país.
O autarca referiu que tem sido feito um trabalho contínuo para os mercados tradicionais funcionarem “com segurança e higiene”.
No caso de Ponta Belém, o município explicou que o incêndio “terá sido provocado por três crianças que atearam fogo a um colchão nas proximidades do mercado”.
As chamas propagaram-se rapidamente, atingindo as bancas de venda de vestuário, bidões e outros bens das comerciantes, além de um edifício adjacente.
As remessas de artigos enviados em bidões, por emigrantes, são uma das formas de sustentar famílias cujo rendimento é obtido nestes mercados.
A Câmara da Praia vai mobilizar 109 mil euros para recuperar o mercado e distribuir apoios diretos.
LFO // MLL
Lusa/Fim
