
Maputo, 01 jun 2026 (Lusa) – Pelo menos sete moçambicanos morreram e mais de 800 foram vítimas de ataques xenófobos na África do Sul desde sexta-feira, anunciaram hoje as autoridades, que alertam para o agravamento da situação de segurança no país vizinho.
O Gabinete de Informação de Moçambique (Gabimfo) avançou hoje, em comunicado, que pouco mais de 800 moçambicanos residentes na cidade de Mossel Bay, na província sul-africana de Cabo Ocidental, foram, na última sexta-feira, vítimas de acções de xenofobia, um problema recorrente na África do Sul.
“Há a lamentar a morte de sete cidadãos moçambicanos, cinco dos quais por consequência direta dos ataques xenófobos e outros dois como resultado de um acidente de viação, quando viajavam, em viatura particular, de regresso a Moçambique”, refere-se no documento.
Segundo o Gabimfo, só no último sábado, pelo menos 300 moçambicanos regressaram, por meios próprios, a Moçambique e os pouco mais de 500 nacionais que permanecem naquele país encontravam-se albergados, desde então, num local seguro no Cabo Ocidental, estando já a decorrer, a partir de hoje, o processo do seu repatriamento para Moçambique.
“Os referidos compatriotas serão levados aos seus locais de origem, designadamente onde possuem as suas residências. Os cidadãos em causa são oriundos das províncias do Sul de Moçambique – Gaza, Inhambane, Maputo e Cidade de Maputo – e da província de Manica, na região centro”, lê-se no comunicado.
À sua chegada à fronteira de Ressano Garcia, na Província de Maputo, os moçambicanos em processo de regresso forçado ao país recebem dois `kits´ alimentares, sendo um para o seu uso imediato e outro para os primeiros 10 dias de restabelecimento nas suas zonas de origem.
“Tendo em conta a volatilidade da situação — o que inclui a exigência, por parte de grupos anti-imigrantes, no sentido de certos grupos de estrangeiros abandonem aquele país até 30 de junho corrente –, prevê-se o agravamento do atual quadro, estando o Governo a trabalhar para a necessária mitigação”, alerta.
Face à situação, as autoridades moçambicanas garantem que têm estado, desde a ocorrência dos incidentes, a monitorar a situação, através do Consulado de Moçambique na Cidade do Cabo, que está engajado na prestação de assistência aos cidadãos nacionais afetados.
“De referir que o Governo continuará a fazer o seguimento apropriado, através das suas missões consulares naquele país vizinho, bem assim por intermédio do Instituto Nacional para as Comunidades Moçambicanas no Exterior (INACE) e do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD)”, conclui-se.
O porta-voz do Serviço Nacional de Migração (Senami) de Moçambique tinha dito hoje à Lusa que as autoridades sul-africanas vão deportar cerca de 600 moçambicanos vítimas de atos xenófobos naquele país.
“São cerca de 600 moçambicanos e só chegam amanhã [terça-feira]. São vítimas de xenofobia”, disse Juca Bata, porta-voz do Senami.
Segundo o responsável, os transportes com os moçambicanos partiram hoje por volta das 14:00 da Cidade do Cabo, África do Sul, e chegam a Maputo, em Moçambique, na terça-feira de manhã, através da fronteira de Ressano Garcia, a maior e principal entre os dois países.
Na altura, Juca Bata disse que as autoridades não tinham ainda dados sobre moçambicanos feridos ou mortos na África do Sul.
No domingo, o líder da comunidade moçambicana na África do Sul avançou que pelo menos quatro moçambicanos morreram e vários outros ficaram feridos durante confrontos com cidadãos sul-africanos em Mossel Bay.
A África do Sul tem registado manifestações e tensões sociais visando migrantes, sendo que, no início do mês, uma marcha contra a imigração culminou em ataques a negócios de estrangeiros na província do Cabo Oriental, no este do país.
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