
Pemba, Moçambique, 01 jun 2026 (Lusa) — O Reino Unido investiu 20 milhões de euros, desde 2022, no acesso à água e abrigo para as vítimas de terrorismo em Cabo Delgado, beneficiando 150 mil pessoas por ano, anunciou hoje a Embaixada do Reino Unido em Moçambique.
Num comunicado, a embaixada britânica explica que o apoio permitiu o acesso a alimentos, água, abrigo, cuidados de saúde básicos e proteção legal à população vítima dos ataques de gurpos insurgentes.
O Reino Unido recorda que, em agosto de 2025, alocou quatro milhões de dólares (3,4 milhões de euros) do Fundo Central de Resposta a Emergências das Nações Unidas, que assegurou a “assistência urgente” em alimentos, abrigo, proteção e serviços de água, saneamento e higiene (WASH) “para aqueles mais necessitados”.
“Este apoio humanitário é complementado por investimentos britânicos em sistemas de proteção social, ajudando a reduzir a dependência a longo prazo de ajuda de emergência, fortalecendo respostas mais previsíveis e lideradas nacionalmente”, refere.
Desde outubro de 2017, Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada associada a grupos extremistas ligados ao Estado Islâmico, conflito que já provocou cerca de 6.500 mortos e forçou milhares de deslocados, segundo dados de organizações internacionais.
Citada no documento, após uma visita à cidade de Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, a Alta Comissária britânica em Maputo, Helen Lewis, defendeu uma resposta “abrangente e integrada” para acabar com o conflito naquela região, destacando que deve ser liderada pelo Governo moçambicano.
“O Reino Unido acredita que soluções de segurança por si só não acabarão com este conflito. Uma resposta abrangente e integrada, liderada pelo Governo de Moçambique, é essencial para abordar as causas profundas do conflito e alcançar uma paz duradoura”, declarou.
Em Pemba, a diplomata encontrou-se com o secretário de Estado de Cabo Delgado, Fernando Bemane de Sousa, e representantes da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), da Organização Internacional de Segurança para ONG (INSO) e do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
A diplomata afirmou que o Reino Unido reconhece que a mudança “sustentável” para aquela região exige ir além da assistência humanitária e investir em “governação responsável” e engajamento ativo do setor privado, manifestando o interesse do seu Governo em ver a província tornar-se num lugar onde os investimentos “fluem, as empresas operam de forma responsável e as comunidades beneficiam do crescimento”.
“É por isso que estamos a trabalhar diretamente com o setor privado, inclusive através dos Princípios Voluntários sobre Segurança e Direitos Humanos”, assegurou Helen Lewis, na visita,centrada no objetivo de “remodelar” a natureza do engajamento internacional no norte de Moçambique — passando de um modelo “predominantemente baseado em doadores” para um que mobiliza investimento privado e constrói resiliência económica a longo prazo.
A Alta Comissária britânica participou num ‘workshop’ sobre os Princípios Voluntários sobre Segurança e Direitos Humanos – uma iniciativa global que visa promover uma abordagem centrada na comunidade para a segurança e ajudar a minimizar o risco de abusos dos direitos humanos no setor extrativo.
Helen Lewis reuniu-se com o presidente do Conselho Municipal da Cidade de Pemba, Satar Abdulgani, para discutir o Programa de Cidades Verdes e Infraestrutura (GCIP, sigla inglesa), que apoiou o Plano de Estrutura Urbana daquela cidade, ajudando a “definir legalmente um crescimento urbano sistemático, resiliente e ordenado”, com planeamento participativo detalhado realizado em Metula e Maringanha, naquela região, destaca-se no comunicado.
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