
BrasÃlia, 29 mai 2026 (Lusa) – A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos PolÃticos (CEMDP) do Brasil, aprovou hoje relatório que conclui que o ex-presidente brasileiro Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar no paÃs.
A decisão contesta a conclusão apresentada pelas autoridades da época de que Juscelino, popularmente chamado de “JK”, foi vÃtima de um acidente rodoviário há 50 anos, em 1976.
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos é um órgão governamental formado por sete membros e conta com apoio técnico do Ministério dos Direitos Humanos do Brasil.Â
O relatório final foi aprovado por votos da maioria das pessoas integrantes a CEMDP, sendo seis votos a favor e uma abstenção.Â
“A principal conclusão foi de que a premissa na qual muitos se baseavam para justificar o acidente como fatalidade, ou seja, a batida de um ónibus na traseira do veÃculo, jamais ocorreu”, informou o Ministério Público Federal em comunicado.
Segundo o relatório, a morte de JK integrou uma ação coordenada de repressão polÃtica no contexto da Operação Condor, aliança entre regimes militares sul-americanos durante a Guerra Fria.
A relatora Maria CecÃlia Adão vem trabalhando com o caso desde novembro de 2024 e, com a aprovação das conclusões do relatório da CEDMP, o colegiado trabalhará para que a certidão de óbito de JK seja retificada,
O caso de JK foi aberto pela CEMDP em fevereiro de 2025 por decisão do Governo brasileiro, com base num inquérito do Ministério Público Federal, que durou seis anos de trabalho(2013-2019), e identificou falhas graves nas investigações do próprio Estado.
O MPF descartou a tese oficial de que tenha havido choque entre o autocarro e o veÃculo de JK, mas concluiu ser “impossÃvel afirmar ou descartar” a hipótese de atentado polÃtico contra o ex-presidente brasileiro.
Fundador de BrasÃlia, Juscelino Kubitschek governou o Brasil entre 1956 e 1961 e foi um dos principais adversários civis do regime militar instaurado no paÃs em 1964.
A sua morte é vista pela imprensa brasileira e por muito historiadores como um dos capÃtulos mais estranhos e controversos dos 21 anos de duração da ditadura militar no Brasil.Â
MYMA// RBF
Lusa



