Dispersão populacional e pouco investimento desafiam expansão de energia em Moçambique

Maputo, 29 mai 2026 (Lusa) – O Fundo Nacional de Energia (Funae) moçambicano apontou hoje a dispersão da população, dificuldades no pagamento dos serviços e de mobilização de investimentos como desafios para expansão da rede elétrica, quando o país quer total cobertura até 2030.

Arcádia Nhantumbo, do Funae, que falava no seminário alusivo à celebração, hoje, do Dia da Energia, que decorreu em Maputo sob o tema “Desafios para o Alcance da Meta do Acesso Universal à Energia, até 2030”, apontou a necessidade de grandes investimentos e planificação integrada para assegurar o acesso universal à energia nos próximos quatro anos.

Contudo, assinalou que, “mesmo levando a rede da energia aos locais, as pessoas ainda têm alguma limitação no (…) pagamento deste serviço”, pelo que defendeu a necessidade de ser fomentado “algum uso produtivo para se poder ter algum rendimento para poder ser paga esta energia”.

A responsável do Funae apontou como terceiro desafio limitações no financiamento, apelando à mobilização de fundos, tanto públicos como privados, e à intervenção dos empresários nas soluções para acesso universal à energia no país.

Para além destes desafios, a Eletricidade de Moçambique (EDM) alertou para o roubo de energia e vandalizações.

“São vários desafios, a questão das infraestruturas é um desafio, a vandalização e o roubo de energia, a questão da dispersão geográfica em Moçambique é um desafio, os financiamentos, mas nós gostamos de olhar para os desafios como uma oportunidade de melhoria e é isso que fazemos”, disse a diretora de Academia da EDM, Assa Fumo.

Desde a criação da EDM, em 1977, Moçambique concluiu a eletrificação de todas as capitais provinciais, incluindo as sedes dos 154 distritos e 357 sedes de postos administrativos, dos 416 existentes, conforme informação de António Manda, secretário permanente do Ministério dos Recursos Minerais e Energia.

“Neste percurso de quase cinco décadas, a taxa de acesso à energia elétrica passou de menos de 2% em 1977 para 66,4% em março deste ano”, disse o governante, lamentando igualmente desafios referentes ao roubo de energia, guerras e mudanças climáticas que atrasam a eletrificação do país.

“A média dos últimos anos em termos de novas ligações, com esta introdução do programa Energia para Todos, ronda os 400 mil novos consumidores, sobretudo nas zonas rurais, facto que reforça ainda mais o compromisso do Governo de atingir o acesso universal em 2030”, concluiu.

Em março, a EDM previu investir 82 milhões de dólares (70,7 milhões de euros) em 2026, com pelo menos 420 mil novas ligações, beneficiando cerca de dois milhões de pessoas, disse então o presidente do conselho de administração da estatal à Lusa.

Segundo Joaquim Ou-chim, trata-se do fundo disponível para investimento da elétrica estatal este ano, dos quais cerca de 70 milhões de dólares (60,4 milhões de euros) são provenientes do Projeto ProEnergia, com financiamento do Banco Mundial, e os restantes 12 milhões de dólares (10,3 milhões de euros) da tesouraria da EDM.

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