
Maputo, 29 mai 2026 (Lusa) – O Governo moçambicano disse hoje que a continuação das forças ruandesas no combate ao terrorismo em Cabo Delgado permite ganhar tempo para capacitar e preparar as forças nacionais para, de forma independente, garantirem a segurança das populações e bens.
“Não sei dos custos, não sei de quanto isso significa, até quanto tempo ficarão, mas os acordos estritamente hão de clarificar nos próximos tempos sobre esta matéria, mas ao termos este reforço isto permite continuarmos a capacitar o nosso país”, disse o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, ao ser questionado pelos jornalistas, em conferência de imprensa, em Maputo.
“Isso dá tempo para continuarmos a reorganizar as nossas forças em termos de capacidade, em termos de equipamentos, tecnologias, entre outras, enquanto também temos o beneplácito do apoio das forças amigas que dão suporte de segurança do território nacional”, clarificou.
Em 19 de maio, o Ruanda anunciou que vai manter-se em Cabo Delgado, no combate ao terrorismo, criticando que dois pedidos à União Europeia para apoio financeiro foram recebidos com “relutância”, o qual será agora assumido por Moçambique.
“A colaboração entre os dois governos tem sido bem-sucedida e continuará nessa mesma linha, visto que o trabalho das forças de segurança ruandesas em Cabo Delgado é reconhecido pelo país irmão, Moçambique”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda, Olivier Nduhungirehe.
Em causa está o fim, já previsto anteriormente para maio, do apoio financeiro, após 40 milhões de euros desembolsados – em dois momentos, o primeiro apoio e a renovação -, da União Europeia (UE) à operação que o Ruanda assume há cinco anos em Cabo Delgado, apoiando as Forças Armadas moçambicanas no combate aos grupos terroristas que operam na região, que concentra das maiores reservas de Gás Natural Liquefeito (GNL) em África, palco de insurgência desde 2017.
Perante os jornalistas, Impissa remeteu para depois os detalhes sobre eventuais acordos e custos que asseguraram a permanência da força ruandesa em Cabo Delgado, indicando que a prioridade do Governo é a proteção das populações e bens.
“A presença das forças amigas que estão aqui é mesmo em parte para dar tempo e ajudar para que nós consigamos espaço, tempo, recursos suficientes, capacitação das nossas forças para estarem na linha da frente, independentemente da ausência deles quando saírem”, frisou o porta-voz do Governo.
De acordo com o Governo ruandês, existem mais de 6.300 militares a combater o terrorismo no norte de Moçambique, três vezes mais face ao destacamento de 2021.
Em 22 deste mês, a diplomacia da União Europeia afirmou não ter recebido “qualquer pedido formal” para prolongar o apoio financeiro às forças de segurança ruandesas em Cabo Delgado, cujo atual programa termina no final de maio.
PME (PVJ/ANE) // VM
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