
Pemba, Moçambique, 29 mai 2026 (Lusa) – Populares da comunidade de Nova FamÃlia, no distrito de Muidumbe, na provÃncia moçambicana de Cabo Delgado, denunciaram hoje à Lusa a circulação de supostos terroristas em campos agrÃcolas, temendo o comprometimento da produção e o agravamento da fome.
“Terroristas estão a circular nas nossas machambas [campos agrÃcolas] desde domingo da semana passada” disse à Lusa uma fonte a partir de Muidumbe.
Com a intensificação da circulação de grupos extremistas nas zonas agrÃcolas daquela região da provÃncia de Cabo Delgado – rica em recursos de gás natural e alvo de ataques há cerca de oito anos, desde o primeiro registado em 5 de outubro de 2017, no distrito de MocÃmboa da Praia – as populações locais manifestam crescente preocupação, temendo que a instabilidade e a insegurança comprometam a colheita do milho da segunda época, o que poderá agravar a escassez de alimentos e provocar fome.
“Medo de fome sim, porque eles [terroristas] circulam perto da zona de produção” disse outra fonte a partir de Muidumbe.
Segundo fontes locais, embora não haja registo de vÃtimas mortais, o receio de novos ataques já levou muitos residentes a abandonarem a zona.
“Ninguém morreu, mas terrorista nunca foi amigo de ninguém, por isso temos medo”, concluiu.
A organização ACLED registou 10 eventos violentos em duas semanas na provÃncia moçambicana de Cabo Delgado, nove envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram 26 mortos, elevando para 6.570 os óbitos desde 2017.
De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 04 a 17 de maio, dos 2.384 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.203 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
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